23 de setembro de 2018
Vendas a um clique
Ada Suene por Ada Suene

Em franca ascensão no Brasil, as compras on-line, por meio das plataformas de marketplace, correspondem a 25% do total vendido no comércio eletrônico. Em publicação recente, o site Internet Retailer Conference & Exhibition (IRCE), especializado em comércio digital, informou que, em escala mundial, esse percentual sobe para 50%, confirmando um cenário promissor para quem pretende ingressar (de vez!) no e-commerce em qualquer lugar do planeta.

Com o conceito de um shopping center virtual, a modalidade de negócio aterrissou em solo brasileiro em 2012. As facilidades oferecidas pelos sistemas de marketplace ao comerciante justificam sua rápida adesão pelo setor varejista e o exponencial crescimento do serviço no país. Entre as vantagens propostas pelas plataformas de vendas on-line, está a visibilidade. Sem gastos adicionais com publicidade, ao disponibilizar os itens para venda no ambiente virtual, os produtos aparecem em sites indexados, que, por sua vez, fazem referência à loja ou marca.

O pulo do gato desse universo virtual, em relação à exposição de produtos e marcas, está na garantia de visitas aos sites, ou seja, quanto maior é o número de acessos ao portal de vendas, maior é o público alcançado. Resultado: menos dinheiro investido em propaganda e mais divulgação.

Atraídos pela visibilidade de suas marcas e pelo baixo custo do uso das plataformas, os varejistas apostam, cada vez mais, na estratégia digital para alcançar as metas crescentes do setor. Segundo pesquisa da Ebit, empresa brasileira que analisa a reputação e certifica empresas de e-commerce, os resultados dos dois últimos anos comparados apontam que a fatura nacional cresceu 48%, ultrapassando R$ 73 bilhões, em 2017.

Na avaliação de Gastão Mattos, empresário e especialista no mercado digital, o Brasil está alinhado com os acontecimentos globais do setor. Ele ressalta o potencial das lojas virtuais brasileiras: “Estimo que também chegaremos a 50% do total das vendas no horizonte máximo de três anos. Os grandes players do mercado, como B2W, Via Varejo, Walmart, Máquina de Vendas, Magazine Luiza, Dafiti, Netshoes, entre outros, ou mesmo novos, como iFood, já operam na modalidade de marketplace, em muitos casos, atuando como liquidantes dos pagamentos. Ao receber o valor integral pago, repassam aos vendedores”.

REGULAÇÃO

Para delimitar a atuação do marketplace em relação aos sistemas de pagamento, o Banco Central definiu que plataformas com movimentação anual superior a R$ 500 milhões precisarão liquidar a operação de pagamento a partir de um interveniente, no caso, a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP). “Se, por um lado, a mudança traz maior segurança ao sistema de pagamentos, principalmente para os vendedores, por outro, é um processo novo e, por isso, traumático de ser implementado, pois envolve um dos fluxos mais sensíveis e complexos: o pagamento e repasse aos participantes da venda”, analisa Mattos.

Apesar da regulação em curso, o especialista avalia que não haverá retração do setor. Segundo ele, a centralização de pagamentos via CIP elimina um dos riscos quanto ao fluxo de recebimento, mas não há obrigatoriedade para todos os marketplaces. “É importante entender as políticas de penalidade e chargeback (vendas estornadas) para cada um, para evitar surpresas desnecessárias”, alerta.


Pergunte ao especialista

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE O E-COMMERCE E O MARKETPLACE?

A principal diferença está no canal de divulgação. Na loja própria, é necessário estruturar a divulgação e atratividade para conseguir o tráfego de consumidores desejados. Já no marketplace, essa função é administrada pelo canal, podendo ter um custo-benefício interessante ao vendedor. Outra diferença está no custo de aquisição de clientes, que no e-commerce é de responsabilidade do lojista, enquanto no marketplace paga-se uma comissão sobre as vendas.

QUEM PODE INICIAR NO MARKETPLACE?

É um sistema democrático. Não são exigidos muitos requisitos. Hoje, já existem canais que permitem a realização de vendas de pequenas lojas a pessoas físicas. Todos são beneficiados pela divulgação e credibilidade das plataformas de marketplace existentes no país. Afinal, é um canal alternativo para grandes lojistas ou mesmo canal único de venda para pequenos vendedores.

ENTÃO, O QUE É PRECISO FAZER?

Não há burocracias, mas é preciso entender os modelos de negócio (comissões e outros custos) e o perfil de tráfego dos marketplaces em que serão feitas as vendas. São múltiplas as opções e os modelos; portanto, vale uma análise de adequação para a melhor escolha.


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