1 de maio de 2018
Varejo ganhará laboratório de inovação
Varejo SA por Varejo SA

Projeto da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial conta com o apoio da CNDL e começa a sair do papel

Por Renata Dias

equipe_trabalho

Um espaço para apoiar o setor varejista no desenvolvimento de inovações e na melhoria da produtividade e da eficiência no atendimento do novo perfil de consumidor. Visando a fortalecer a conexão entre diversos atores, o Laboratório de Inovação no Varejo começa a sair do papel. A iniciativa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), conta com o apoio da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e outros parceiros. O objetivo é estabelecer um ambiente de conexão, de experimentação e de inovação dedicado a convergir iniciativas de governo, entidades setoriais, empresas varejistas, fornecedores e start-ups que buscam desenvolver soluções inovadoras para o setor.

“Pela sua capilaridade e volume, o setor varejista pode ser uma força capaz de alavancar o crescimento econômico do país, incorporando inovações e dinamizando o mercado”, explica Eduardo Tosta, coordenador da área de Comércio e Serviços da ABDI. O espaço também irá propiciar ferramentas capazes de realizar leituras profundas quanto ao comportamento do consumidor e, assim, antecipar oportunidades e conceber produtos e serviços que possam atender ao mercado de modo mais acertado.

De acordo com a ABDI, o conceito de laboratório de varejo é utilizado por vários países como forma de impulsionar a competitividade do setor por meio da inovação em processos e produtos. Em geral, são espaços compartilhados (coworkings) que se assemelham a centros de pesquisa, em que é possível desenvolver e aplicar as mais diversas tecnologias, analisar e validar as relações entre consumidores, produtos, ambientes e processos do varejo, além de trazer melhorias em todo o processo de exposição, produção e método de negócio do setor.

A proposta do laboratório é disponibilizar ao setor um ambiente colaborativo para a construção de ações e programas de estímulo à inovação. “O laboratório nasceu para fortalecer a conexão entre empresas varejistas, agentes de inovação, empreendedores, investidores, aceleradoras, academia e governo. Será um espaço de transformação digital”, adianta Tosta.

Diagnóstico

O projeto prevê uma equipe própria e espaço físico dedicado e realizará gratuitamente mais de cem atividades nos próximos dois anos. Dentre elas, destacam-se: hackathons, start-up weekends, meetups, bootcamps, mentorias, coaching, workshops, capacitações, demonstrações de tecnologias, oficinas de prototipagem e teste com clientes.

Em processo de definições estratégicas das atividades, a Consultoria Pieracciani foi contratada e entregou um diagnóstico do setor, buscando as bases para o projeto. Foram ouvidos especialistas e coletadas suas percepções sobre os desafios do setor varejista, o papel da inovação e do laboratório, entre outros temas.

De acordo com o estudo, os principais desafios e dificuldades apontados pelo setor são a qualificação da mão de obra, a capacitação dos empresários e funcionários, resistências culturais para adoção de tecnologias, acesso a crédito para inovação e desafios tributários, trabalhistas e logísticos. Para os especialistas, a inovação tecnológica no varejo está voltada para o aumento da competitividade com redução de custos, aumento da produtividade e melhoria da experiência do consumidor. Os especialistas acordaram que a inovação será o diferencial na sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo, em que as start-ups possuem papel relevante por trazerem de forma rápida novas tecnologias para o setor.

Os entraves levantados pelos entrevistados foram divididos em quatro grupos de diferentes naturezas:
– Cultura: resistência à mudança, falta de interesse dos líderes da empresa pela inovação, pressão das atividades do dia a dia, falta de cultura colaborativa e visão imediatista, dificuldade para enxergar os retornos de longo prazo.
Desconhecimento: lacuna de conhecimento ou falta de habilidade em lidar com recursos tecnológicos, dificuldade de identificar por onde começar e insegurança quanto ao sucesso e retorno da inovação.
– Aspectos financeiros: custo da tecnologia considerado alto, falta de políticas públicas, incentivos governamentais ou linhas de crédito para inovar e reflexos da crise financeira que inibem a agenda da inovação.
– Aspectos estruturais: falta de infraestrutura de telecomunicações e logística adequada, falta de maturidade do mercado consumidor, além de questões tributárias e regulatórias.

Apesar das barreiras identificadas que inibem a inovação no setor varejista, os entrevistados perceberam oportunidades em três diferentes dimensões: a inovação no processo de compra (foco na experiência do consumidor), a inovação de processos (gestão e melhoria da produtividade) e a inovação colaborativa na cadeia de valor (desenvolvimento de soluções transversais e estímulo à criação de redes compartilhadas).

A expectativa é que o projeto seja um instrumento de sensibilização e aproximação do mundo digital com a mudança de cultura. O laboratório será um espaço de experimentação de novas ideias em que não haja medo de errar e que consigam chegar até o teste real com o consumidor final em espaços de consumo, um balão de ensaio e fonte para gerar resultados para o negócio. O projeto pode ser um caminho para replicar em diferentes localidades e contextos, incentivar a geração de políticas públicas, além de promover a inovação e fortalecer a integração entre indústria e varejo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *