15ª edição

Por Maria Clara Abreu

 

idoso

A população brasileira está envelhecendo. Atualmente, 12,1% da população possui mais de 60 anos, o que equivale a aproximadamente 23,5 milhões de pessoas, ou seja, são quase 24 milhões de potenciais consumidores. E esse número só tende a crescer. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que, até 2050, 30% da população será idosa.

 

De acordo com o Censo Demográfico de 2010, a renda média da população acima de 60 anos é de R$ 1.413,65. Além disso, uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), a respeito do consumo e uso do crédito na terceira idade, mostrou que seis em cada dez idosos (66,7%) são responsáveis por tomar as decisões sobre as próprias compras, principalmente as mulheres (72,5%). Ainda, 39,5% dizem gastar menos com mantimentos básicos para a casa e mais com as coisas que desejam.

 

Apesar de terem tempo, disposição e poder aquisitivo para consumir, os idosos não se sentem contemplados pelo mercado. Isso acontece porque muitas marcas e empresas não se preocupam em entender os desejos e as particularidades desse público. A visão que essas organizações têm da população acima de 60 anos ainda está muito ligada a velhos estereótipos, construídos em um contexto que já não corresponde à realidade brasileira.

 

Um bom exemplo disso é a imagem que ilustra o idoso com as costas arqueadas, portando uma bengala, ainda frequentemente utilizada em placas sinalizadoras de espaços reservados às pessoas com mais de 60 anos. Devido às melhorias na qualidade de vida, essa imagem não representa a população idosa contemporânea.

 

Segundo a antropóloga Hilaine Yaccoub, as marcas precisam entender que o público idoso possui demandas específicas que precisam de atenção. Proporcionar um atendimento mais humanizado, disponibilizar bancos e boas condições físicas de acesso e, sobretudo, investir na experiência do consumidor são ações simples que podem atrair e fidelizar esse público.

 

Hilaine ressalta também que, muitas vezes, a idade cronológica não combina com a idade social. “O fato de as pessoas idosas possuírem necessidades específicas não significa que não são independentes, que não possuem hábitos de lazer, desejos e vaidades”, explica.

 

Ainda segundo a pesquisa da CNDL, entre os produtos voltados especificamente para a terceira idade, os que fazem mais falta para os idosos são celulares com letras e teclados maiores (13,1%), bares e locais para frequentar durante o dia e à noite específicos para esse público (11,7%, aumentando para 14,6% na faixa etária de 60 a 70 anos) e roupas (11,3%).

 

Mirian Gomes tem 76 anos, é ex-professora aposentada e conta que permanece bastante ativa e vaidosa. “Não abro mão do meu hidratante para o rosto e para o corpo, gosto de me cuidar e vou ao salão”, afirma. Ela também conta que planeja se mudar com o marido para um apartamento menor e mais perto da zona central da cidade: “Gosto de ficar no meio do povo, sinto mais alegria”.

 

O estudo mostra também que boa parte dos idosos participa consideravelmente do cotidiano de seus familiares. Essa participação dá-se de diversas formas, mas, em geral, eles realizam atividades que o resto da família não teria condição de desempenhar por falta de tempo, como levar e buscar os netos nos compromissos, realizar as compras periódicas do lar e até mesmo cuidar de outros idosos com idade superior. Do ponto de vista financeiro, 33,2% afirmam que parte da própria renda é destinada a gastos de outras pessoas da família.

 

As empresas que não se preocuparem em compreender a diversidade de perfis que existe dentro dessa faixa demográfica, entendendo seus desejos e respeitando suas necessidades, poderão estar desperdiçando um importante potencial de venda.

 

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