19ª edição

Educação, inclusão e proteção compõem o conceito, que visa a melhorar a qualidade de vida da população e o acesso ao sistema financeiro

Por Viviane Marques

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No fim de 2017, uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostrou que, entre as principais metas financeiras dos brasileiros para este ano, estão: juntar dinheiro (45%) e sair do vermelho (27%). Equilibrar receitas e despesas é um desafio e o principal caminho para a conquista da cidadania financeira – conceito que abrange educação, proteção e inclusão financeira da população.

Segundo o Banco Central, quando as pessoas usam o dinheiro de modo consciente e equilibrado, o sistema financeiro torna-se mais eficiente e acessível. Elvira Cruvinel Ferreira, chefe do Departamento de Promoção de Cidadania Financeira do Banco Central, afirma que é preciso provocar uma mudança de comportamento para que as pessoas, independentemente de classe social ou escolaridade, tomem boas decisões.

“Isso não se faz da noite para o dia. Nosso desafio é chegar ao público mais vulnerável, a quem está endividado. Os micro e pequenos empresários são muito importantes para o Banco Central, daí termos parcerias com CNDL, SPC Brasil e Sebrae”, afirma. Ela ressalta que é possível apoiar funcionários, clientes e fornecedores na conquista da cidadania financeira, contribuindo para a sustentabilidade do negócio e a qualidade de vida de todos. “Se quem compra na sua loja não se sustentar, não vai se tornar cliente”, comenta Elvira.

Na gestão financeira do negócio, Elvira exemplifica a necessidade do melhor uso dos meios de pagamento. “Hoje, a lei permite diferenciar preços para pagamento em dinheiro e cartões, mas poucos o fazem. Será que precisamos mostrar que adiantamento (de recebíveis) tem custo alto? Oferecer um desconto (à vista) não seria bom para todos?”, questiona.

Olho vivo nas contas: o segredo da Laguna Laticínios

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Leite, coalho, sal e austeridade são os ingredientes da receita de equilíbrio financeiro dos Laticínios Laguna, de Paracuru (CE). Cada custo é posto com rigor na ponta do lápis na gestão dessa empresa familiar, criada há 24 anos e hoje liderada pelos irmãos Maurício Prado e Nelson Bernardes Prado Filho. “Podíamos ter sido mais audaciosos, mas crescemos com os pés no chão”, explica Prado, que fez carreira em grandes corporações e no mercado financeiro até assumir um cargo na empresa fundada pelo pai e que beneficia laticínios bovinos e de búfala.

Equipe enxuta, uso máximo de recursos e endividamento mínimo são pilares da Laguna. Com fornecedores da região, adiciona responsabilidade social à receita. Mas o crédito, por vezes, é necessário para compra de equipamentos ou capital de giro, sempre como última opção. “Recomendo que o empresário corte o que for possível e otimize ao máximo seus recursos antes de ir ao banco”, sugere o administrador.

Prado cita um exemplo atual: com dois caminhões de entrega, a Laguna está com demanda para um terceiro; a opção, por enquanto, é terceirizar o serviço até que se confirme a necessidade de adquirir um novo veículo. Expandir o mercado de atuação é outra escolha a ser feita com cautela. “Será muito bem pensado, como é nossa característica”, resume.

Educação financeira no Brasil

Instituída como política pública em 2010, a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef) reúne 13 instituições no Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef), cujas ações são coordenadas pela Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF). O Conef elabora, mapeia e dissemina tecnologias que promovam um comportamento financeiro saudável e consciente, com conteúdos direcionados a cada tipo de público, como crianças, idosos, micro e pequenas empresas e beneficiários do Bolsa Família. Uma conquista recente da Enef foi a inclusão da disciplina Educação Financeira na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Ações práticas voltadas ao tema estarão disponíveis de 14 a 20 de maio, durante a 5ª Semana Nacional de Educação Financeira. Há previsão de centenas de atividades presenciais e on-line promovidas pelos membros do Conef e parceiros, em todo o país. Pela primeira vez, CNDL e SPC Brasil vão aderir, como parte do acordo de cooperação técnica firmado com o Banco Central, em março.

Para saber mais

http://www.vidaedinheiro.gov.br/: o portal da Enef contém vídeos, informações e o mapeamento de iniciativas de educação financeira que receberam o Selo Enef.

https://cidadaniafinanceira.bcb.gov.br/: conteúdos e informação para diferentes públicos, como vídeos da série Eu e Meu Dinheiro e a Calculadora do Cidadão.

http://www.semanaenef.gov.br/: divulga a programação completa da Semana Enef.

http://www.aefbrasil.org.br/: organização social que coordena e executa os programas da Enef. Também desenvolve tecnologias e as dissemina por meio de parcerias com empresas e instituições públicas e privadas.

http://meubolsofeliz.com.br/: site mantido pelo SPC Brasil, com dicas e orientações para o consumidor.

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