25 de julho de 2019
Um sucesso made in Brasil
Carolina Laert por Carolina Laert

Fabricação da bebida emprega mais de 600 mil pessoas e registra faturamento superior a R$ 10 bilhões

Ela é tão querida que ganhou diversos apelidos carinhosos: branquinha, cátia, marvadinha, aguardente, bebida que passarinho não bebe, elixir, pingonga e por aí vai. Já sabe de quem estamos falando? Ela mesmo, a famosa cachaça. Brasileira, é bem provável que a origem da bebida tenha ocorrido nos tristes tempos da escravidão, quando os escravos, no processo de fabricação do açúcar, realizavam a colheita de cana e, após ser feito o esmagamento dos caules, cozinhavam o caldo em enormes tachos até se transformar em melado. Nesse processo de cozimento, era fabricado um caldo mais grosso, chamado cagaça. Tal hábito fez com que a cagaça fermentasse com a ação do tempo e clima, produzindo um líquido de alto teor alcoólico. Com o tempo, a bebida foi se aperfeiçoando e, hoje, é apreciada em diversas partes do mundo.

Para Carlos Lima, diretor executivo do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), o gosto pela cachaça cresceu tanto que hoje a bebida emprega mais de 600 mil brasileiros – número apresentado no estudo feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). De acordo com o levantamento, o faturamento do setor de cachaça no Brasil foi superior a R$ 10 bilhões. “O produto foi vendido para mais de 60 países, gerando uma receita de US$ 15,8 milhões para um volume de 8,74 milhões de litros”, revela.

Mesmo com entraves – alta carga tributária sobre a bebida –, Lima explica que houve um crescimento de 13,43% em valor e de 4,32% em volume, comparado ao ano de 2016. No entanto, o especialista faz um alerta: “A cachaça hoje é o produto mais taxado do Brasil, chegando a 80%. O impacto dessa alta carga no mercado é grande. Algumas empresas já fecham as portas e é possível notar um aumento na informalidade e clandestinidade no setor. Por isso, em 2018, lançamos o Manifesto da Cachaça, que tem como objetivo valorizar esse grande ícone nacional”.

Além da carga tributária e aumento da informalidade, o manifesto menciona a ampliação de esforços de promoção e proteção internacional da cachaça como um produto brasileiro. “Considerando a atual capacidade instalada de produção de cachaça, de 1,2 bilhão de litros, e o tamanho do mercado externo de bebidas destiladas, os atuais números de exportação ainda podem ser mais bem explorados e crescer. A tequila, por exemplo, que tem 70% de seu volume de produção comercializado para mais de 190 países, gera ao México uma receita anual superior a US$ 1 bilhão”, conta.

Para todos os gostos – Por ser genuinamente brasileira, é em terras tupiniquins que estão os mais diferentes tipos de cachaça, sendo passados por processos de envelhecimento ou não. É o que mostra o site Cachaçaria Nacional, maior loja on-line de cachaças no país e no mundo. Com mais de 1.500 rótulos disponíveis para compra, além dos produtos vendidos por unidades, há a opção de o cliente se cadastrar no Clube CN e receber os melhores rótulos todos os meses, pagando uma mensalidade de R$ 99,90.

Com operação iniciada em 2009, os sócios Rafael Araújo e Marcos Paolinelli tiveram a ideia de aproximar os pequenos produtores de cachaça dos clientes de todo o mundo. Em 2015, o portal fundou o seu clube de assinaturas e, no ano de 2016, em Belo Horizonte, abriu sua primeira loja física. Com rótulos de variados preços, é possível encontrar cachaças envelhecidas por 18 anos em barris de carvalho.

Melhor forma de investir – Com o aumento das vendas da bebida no exterior, a procura pelo negócio também cresceu. Para fugir da informalidade, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) disponibilizou o documento Cachaça, como legalizar seu empreendimento, que apresenta aos pequenos produtores, técnicos e profissionais envolvidos como podem sair da informalidade. No material, é possível encontrar informações que vão desde a solicitação de inscrição estadual até o alvará de funcionamento da empresa e licença sanitária.

Dicas para quem quer investir

Carlos Lima, diretor executivo do Ibrac, dá algumas dicas para quem deseja investir no setor:

  • Faça uma boa pesquisa sobre o tema.
  • Converse com produtores e empresários.
  • Procure bons parceiros.
  • Inspire-se nos mercados de sucesso.
  • Não fique na informalidade.

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