11 de dezembro de 2019
“Tudo existe, menos o Papai Noel”
Varejo SA por Varejo SA

Como o respeito às diferenças pode transformar até o espírito de Natal

Todo ano é a mesma coisa: shoppings lotados, pais desviando uns dos outros pelas galerias e tentando dar conta da recém-inaugurada temporada de férias dos pequenos.

Já a criançada parece particularmente feliz. Muitas delas impacientes para conhecer, fazer pedidos e tirar aquela foto com o rechonchudo “bom velhinho”.

Alguns vovôs aproveitam a temporada para a exaustiva tarefa de encarnar o Papai Noel. Cultivam a longa barba, procuram manter a forma arredondada e as bochechas rosadas e se hidratam para encarar as longas horas dentro da roupa vermelha acetinada, tudo para ser o mais parecido possível com o velhinho do Polo Norte que povoa o imaginário natalino.  

Neste ano, tive a grata surpresa de me deparar com um Papai Noel negro em um shopping. Como essa cena poderia chamar tanto minha atenção, visto que moramos em um país com 54% de pessoas negras?

O que mais me deixou embasbacada, na verdade, foi a seguinte pergunta: como ninguém pensou nisso antes? Como eu não pensei nisso antes?

Era o Dia da Consciência Negra (20 de novembro), mas a decoração era toda natalina e o Papai Noel havia sido contratado para toda a temporada. Aproximei-me da fila que se formou para tirar fotos com o bom velhinho só para prestar atenção aos comentários.

Curioso que, das crianças, observei o mesmo encantamento. Não percebi estranhamento. Tinha pedidos de videogame, de bicicleta, de celular, de boneca, de carrinho e de bola. Havia os que queriam sentar no colo e davam beijinhos, sem contar os que abriam a boca a chorar quando eram arrancados pelos pais do colo do Papai Noel.

Já os adultos esboçaram uma reação maior de surpresa:

– O Papai Noel é negro, gente!

– Eu nunca vi um Papai Noel da minha cor. Preciso dessa foto!

Outra, de pele bem clara, não resistiu:

– Tire uma foto comigo.

– Hoje, voltei a acreditar em Papai Noel – disse uma senhora, já com sua bengala e cabelos brancos.

Um homem comemorou:

– Queremos Papais Noéis de várias cores, preto, branco, oriental, indígena. Viva a diversidade!

Mas o que me chamou mais atenção foi o questionamento feito por uma mulher, que esperava a hora da foto para seus filhos. Brincando com o filho, enquanto esperava na fila, perguntou:

– Mas Papai Noel negro existe?

O menino, com seus poucos anos, deu a resposta mais inteligente do mundo, capaz de renovar a capacidade humana de acreditar em dias melhores:

– Mãe, tudo existe, o que não existe é Papai Noel.

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