12ª edição

Livrarias e editoras apostam no e-commerce e na diversidade de produtos à venda
para sobreviver à concorrência do mercado em crise

Por Taise Borges

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Artigos de papelaria, produtos eletrônicos, um espaço aconchegante para um café e uma área destinada ao entretenimento infantil. Não parece, mas essa é uma livraria. Para enfrentar a queda das vendas motivada pela crise que assola a economia brasileira, grandes lojas do ramo têm passado por uma transformação e ampliado a gama de itens à venda, aderindo a outros tipos de produto relacionados à cultura e ao lazer. Com a iniciativa, as livrarias também pretendem escapar à concorrência dos e-books, livros em formato digital que podem ser lidos com praticidade em equipamentos como tablets e smartphones.

Acompanhando a conjuntura nacional, o mercado editorial brasileiro tem registrado seguidas retrações – quedas que comprometem a rentabilidade de editoras e, principalmente, de livrarias. O crescimento nominal do setor, em 2016, foi de 0,74%, o que representa decréscimo real de 5,2%, descontada a inflação do período. Somados os decréscimos de 2014 e 2015, no entanto, o resultado indica encolhimento total de mais de 17,0% em termos reais. Os dados relativos ao desempenho das editoras constam na pesquisa “Produção e vendas do setor editorial brasileiro”, elaborada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a pedido da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).

CBL

Bernardo Gurbanov, proprietário da livraria paulistana Letraviva e presidente da Associação Nacional de Livrarias

A atual situação não é nada confortável para os livreiros no país. É o que reitera Bernardo Gurbanov, proprietário da livraria paulistana Letraviva e presidente da Associação Nacional de Livrarias. Segundo ele, toda a cadeia de produção e comercialização de livros no Brasil teve que se ajustar ao novo momento. “Desde 2014, o número de livrarias vem diminuindo ao ritmo do arrefecimento da economia brasileira. Houve lojas que reduziram espaço, cortaram pessoal, fecharam filiais. Com o comércio on-line, o poder de negociação tornou-se determinante e não é todo mundo que consegue competir. Não há uma receita para todos os modelos de negócio, mas a verdade é que não dá para prescindir da comunicação eletrônica. Todo produtor e comerciante precisa oferecer seus serviços via internet”.

O mix de produtos à venda é uma das estratégias de competitividade adotadas pelas megastores para contornar essa situação. Exemplo está na recente parceria firmada entre Livraria Cultura e Fnac: no mês de julho, a livraria anunciou a compra das operações da rede francesa de livros e produtos eletrônicos. Segundo comunicado da Fnac, que possui 12 lojas em sete estados brasileiros, o acordo vai permitir à Cultura “diversificar sua atividade” com os produtos tecnológicos da empresa. O intuito da Cultura também é ampliar, até 2020, a participação do e-commerce de 22% para 70% em seu faturamento. A estratégia deve se consolidar – no Brasil, 50% da receita da Fnac vem do comércio eletrônico.

Revolução digital

Por falar em e-commerce, foi justamente nos últimos dois anos – quando as vendas das livrarias começaram a cair – que a Amazon iniciou o comércio de livros físicos no Brasil. A empresa norte-americana é a maior varejista on-line do mundo e seu fundador, Jeff Bezos, um dos homens mais ricos do planeta. No mês de março, após anunciar a aquisição da varejista on-line Souq, as ações da Amazon valorizaram-se, fazendo com que Bezos ultrapassasse o investidor Warren Buffett e o dono da Zara, Amancio Ortega, e se tornasse o segundo homem mais rico do mundo. De acordo com o ranking de bilionários divulgado pela agência Bloomberg, Bezos, cuja fortuna é avaliada em 87 bilhões de dólares, continua atrás apenas do fundador da Microsoft, Bill Gates, com patrimônio de 90 bilhões de dólares.

Apesar do estrondoso sucesso da Amazon e do vertiginoso aumento das vendas de livros digitais em âmbito mundial, o comércio desse tipo de produto no Brasil cresce devagar. Em 2016, o volume de obras de ficção e não ficção destinadas ao público em geral vendidas em formato e-book representou 6,89% do total de livros comercializados (no ano anterior, o percentual foi de 4,27%). Os dados são do Global e-book report, relatório elaborado por uma empresa de consultoria austríaca especializada no assunto. De acordo com o estudo, a Amazon segue líder entre as livrarias digitais – 55% dos e-books vendidos no Brasil saem do site da empresa norte-americana.

Segundo a pesquisa “Produção e vendas do setor editorial brasileiro” (Fipe/CBL/SNEL), em 2016, o setor editorial nacional produziu 427,2 milhões de exemplares físicos, vendeu 385,1 milhões e faturou R$ 5,27 bilhões.

Estratégias para aumentar o movimento na sua livraria:

– Investir na diversificação de produtos

– Valorizar um atendimento de excelência

– Cafés e espaço infantil também atraem clientes

– Investir em eventos e encontros culturais

– Conhecer o perfil do seu cliente e traçar ofertas personalizadas

 

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