11 de dezembro de 2019
Tchau, década
Varejo SA por Varejo SA

O ano está acabando e, com ele, a segunda década do milênio. Esta foi uma década movimentada e, certamente, ocupará um lugar importante da história. O brasileiro pôde reclamar de tudo, menos de tédio. O país foi sacudido por manifestações de rua, desentendimentos políticos e por uma crise econômica que deixou um rastro de desemprego, destruição de renda e empresas fechadas. Já deixamos o fundo do poço, mas ainda vivemos a ressaca da crise.

Curiosamente, no meio da tormenta, cresceu a visão de que precisaríamos passar por uma série de reformas e, com o improvável apoio popular, o Congresso aprovou mudanças nas regras de aposentadoria, o nosso mais urgente desafio.

O país penou, mas o debate público amadureceu? Eis a aposta para as próximas décadas. O esforço reformista, iniciado ainda em 2017, associado com uma boa condução da política monetária, permitiu que a taxa Selic caísse para 5,0% ao ano, um feito inédito e, até pouco tempo, inimaginável. Há a expectativa de que essa taxa caia ainda mais nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central.

É verdade que o desempenho econômico de 2019 frustrou. Os especialistas chegaram a prever avanço de 2,5% do PIB. Na realidade, teremos algo próximo de 1,0%. O resultado, outrora chamado pífio, reflete uma série de choques que afetaram a economia brasileira, com destaque para o recrudescimento da crise argentina, o desastre de Brumadinho e até mesmo as caneladas trocadas por autoridades.

Vencido o primeiro grande debate, a agenda econômica prevê, na sequência, a reforma tributária, sobre a qual já tratamos aqui; a reforma administrativa, que visa a dar mais eficiência à máquina pública e reduzir privilégios do funcionalismo; o desenho de um novo regime fiscal, que deverá melhorar o controle e o acompanhamento dos gastos públicos; e a desindexação e a desvinculação de gastos do orçamento – ao longo dos próximos meses, voltaremos a falar sobre esses tópicos.

Para 2020, talvez a grande novidade seja a blindagem da agenda econômica contra eventuais ruídos na política. O contundente placar da reforma da previdência mostra que há uma atmosfera reformista e que as principais lideranças do país estão alinhadas com esse objetivo, o que facilita a tramitação dos projetos, embora não torne a aprovação automática.

A década que vai se encerrando começou com um crescimento econômico invejável – quem se lembra? – e terminou de forma melancólica. Muitos planos foram tragados pela tempestade perfeita. A partir de agora, o crescimento deverá permanecer tímido por mais algum tempo, mas, se for acelerado aos poucos e de forma sustentada, poderemos ter uma história melhor pela frente.

Termino desejando um feliz Ano Novo para você e uma grande década para todos nós.

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