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Grandes bancos querem concentrar a gestão do crédito

 
CADASTRO POSITIVO
 
TRANSPARÊNCIA É FUNDAMENTAL
A despeito dessas preocupações, alguns especialistas apostam que a GIC vai ajudar a tirar o cadastro positivo do papel. Essa é a avaliação do especialista em direito bancário e mercado de capitais, Otávio Yazbek. Do ponto de vista dele, o mercado de crédito brasileiro já é bastante concentrado e a entrada em operação da nova gestora de crédito não irá afetar essa dinâmica. “Particularmente não concordo com a percepção de que a GIC será uma ameaça. A concentração de crédito já existe e a barreira que tinha que ser criada para evitar mais concentração foi criada pelo Cade e, em minha análise, as restrições impostas são sufi cientes”, disse. Para Yazbek, a maior transparência nas informações sobre adimplência de consumidores e empresas ajudará a reestruturar o cadastro positivo, com o qual se espera que haja melhores condições de crédito.
 
O QUE PENSAM OS LOJISTAS
Na visão do presidente da CNDL, Francisco Honório, a GIC aumentará a dependência da economia brasileira em relação a um grupo restrito de instituições financeiras. “A GIC gera duas concentrações muito preocupantes em dois mercados distintos: o mercado de concessão de crédito (já dominado pelos cinco maiores bancos) e o mercado de bureau de crédito. Essa concentração pode trazer efeitos nefastos para a economia brasileira”, disse ele em audiência na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados. O presidente da CNDL adverte que a nova gestora de dados irá encarecer o crédito e desestimular o consumo num momento em que a economia brasileira precisa da força de seu mercado consumidor para reagir à recessão e ao baixo crescimento.
 
NA CONTRAMÃO DO MUNDO
O superintendente do SPC Brasil, Nival Martins Júnior, concorda com a conselheira Cristiane Alkmin ao apontar que o cerne da questão não é a atividade da GIC em si, mas o fato de a gestora estar sendo montada pelos maiores bancos, um grupo que concentra grande parte das operações de crédito do país. “Essa operação gera uma dominância preocupante dessas instituições financeiras no mercado brasileiro. Minha avaliação é que as restrições impostas pelo Cade foram brandas e há risco de que com a atuação desse novo player sejam criadas barreiras invisíveis e artificiais, dificultando ou impedindo concorrência no mercado.” Segundo Nival, o Cade, ao aprovar a operação da GIC, colocou o Brasil na contramão do que se vê no mundo. “No restante do mundo, os bancos não têm essa dominância. E em outros países, como no México, o governo e o banco central fizeram exigências para que os bancos reduzam participação em bureaus de crédito justamente para que não haja concentração.”
“Essa operação gera uma dominância preocupante dessas instituições financeiras no mercado brasileiro.” Nival Martins Superintendente do SPC Brasil
 
RISCOS DA GESTORA DE INTELIGÊNCIA DE CRÉDITO (GIC)
A criação gera risco de monopólio de informações sensíveis e sigilosas de consumidores e empresas; bancos controladores detêm 87% dos depósitos totais do Brasil. Os 5 bancos acionistas do GIC são, também, os maiores fornecedores e tomadores de informação dos bureaus; Gera preocupações em termos de concorrência reunir os 5 maiores bancos do país como acionistas de um bureau de informações; Risco de discriminação entre a GIC e os demais bureaus de informação (como SPC, Serasa e Boa Vista) no acesso às informações provenientes dos e solicitadas pelos bancos; Risco de bureaus de dados cadastrais em atividade serem expulsos do mercado; Aumento da concentração da oferta de crédito entre grandes bancos; Aumento da dependência da economia brasileira em relação a apenas um grupo restrito de bancos.
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