18 de maio de 2020
Reflexões sobre a importância do associativismo empresarial em tempos difíceis
Varejo SA por Varejo SA

Tudo parecia caminhar bem em 2020! Em linhas gerais, era possível ver a economia mostrando sinais de crescimento, continuidade das reformas na “máquina pública”, redução do desemprego e, principalmente, o otimismo generalizado da população de que seria um ano melhor.

Mas tudo isso sucumbiu frente aos desafios trazidos pela pandemia do novo coronavírus. E neste momento de turbulência é compreensível que os empresários reflitam sobre a importância do associativismo e qual o seu papel na busca de soluções para o enfrentamento da crise.

Bem, podemos dizer que as pessoas procuram se unir, se mobilizar e agir em conjunto por dois motivos: quando individualmente são frágeis frente aos obstáculos a serem vencidos ou, quando agindo coletivamente, podem aproveitar melhor as oportunidades. E é nesse momento de crise, que a ideia de associar-se ao outro toma maiores proporções, pois com o outro, forma-se o “nós” e o “nós” poderá realizar muitas coisas juntas, aumentando sensivelmente as chances de êxito. No caso de micro e pequenas empresas, essa associação (associativismo) é ainda mais relevante, uma vez que permite articular suas demandas e ganhar protagonismo na elaboração de políticas públicas setoriais. Esse é o princípio da sinergia, quando a soma das partes é maior do que o seu todo.

Em termos análogos, o associativismo é como o telhado da nossa casa, nem lembramos que ele existe e da sua importância cotidiana, mas somente notamos a sua presença quanto surgem goteiras dentro dela. E se surgem goteiras é provável que não houve manutenção preventiva, uma falha grave que poderia ter sido evitada. Neste sentido, nos parece que o associativismo empresarial praticado há mais de 60 anos pelo Sistema CNDL tem essa característica: ser esse grande telhado que protege micro e pequenos empreendedores das intempéries que afetam os negócios, de forma perene. Também importante lembrar que nesse “telhado” todos somos uma “telha” que cumpre dupla função: a de proteger e de ser protegido.

A representatividade institucional exercida pela CNDL junto ao governo federal, pelas FCDLs nos estados e pelas CDLs nos municípios nunca foi tão necessária, não apenas para as empresas associadas, mas também para o ambiente de negócios como um todo. Os líderes do Sistema CNDL se tornaram peças fundamentais neste jogo de defesa de interesses coletivos e setoriais, e percebe-se que há grande protagonismo do setor de comércio e serviços nas principais discussões que ocorrem no país neste momento.

E aqui cabem mais duas importantes reflexões:

Como nossas entidades estão se posicionando frente ao poder público?

Como nossas entidades estão se posicionando frente aos associados?

Ao poder público, devemos ser a voz do empresariado, em especial dos micro e pequenos negócios, que são aqueles que contam com a força da nossa união para defender seus interesses. Neste caso, é preciso equilíbrio e bom senso para que as demandas reflitam a real necessidade do setor frente à crise. Vale lembrar que somente no dicionário é que a “economia” vem antes da “vida”.

Aos associados, devemos solidariedade, mantendo contato frequente, ouvindo críticas e sugestões, divulgando o trabalho feito pela CDL, pela FCDL e pela CNDL. Nossa maior força é a ampla representatividade e capilaridade que temos, portanto, é preciso que cada associado entenda que ao fazer parte de uma CDL, ele automaticamente terá seus interesses representados em âmbito municipal, estadual e federal.

Neste contexto, vale destacar um pensamento que é a síntese de anos de estudo de um dos maiores especialistas em gestão e liderança, Jim Collins: “O que importa é o que as pessoas fazem, não o ambiente em que estão”.

A razão de existir de cada entidade do Sistema CNDL deve ser refletida em todas suas ações, representando os interesses de um setor extremamente relevante e contribuindo ativamente na construção de políticas públicas que melhorem o bem-estar da sociedade por meio de um ambiente de negócios saudável.

Por fim, esperamos que todos nós saibamos agir com serenidade, exercendo o papel que nos cabe, ora como telha, ora como beneficiário do telhado que construímos juntos. Ah, temos uma última consideração para este período nebuloso e incerto: não jogue pedras no telhado, nem no seu, nem no do vizinho.

Daniel Sakamoto (Gerente de Projetos da CNDL)

Nilmar Paul (Consultor e Especialista em Gestão Estratégica)

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