1 de outubro de 2017
Quem é o seu cliente no Dia das Crianças?
Varejo SA por Varejo SA

Mais do que nunca, é essencial enxergar os pequenos como detentores do poder de decisão

Por Marina Galerani

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Mais uma data comemorativa de grande importância para o varejo aproxima-se. Mesmo com a retração nas vendas nos últimos anos, o Dia das Crianças foi responsável por injetar mais de R$ 7 bilhões no comércio nacional em 2016. Para conseguir um bom desempenho, é essencial entender o comportamento desses pequenos consumidores, bem como sua relação com o ambiente familiar e a sociedade.

Uma série de acontecimentos sociais nas últimas décadas transformaram as relações familiares no que são hoje. A média de filhos por família, que já foi de cinco, na década de 1950, hoje é de 1,6. “A migração para as grandes metrópoles, o aumento da violência e a vida corrida levada pelos pais e mães fazem com que tenhamos crianças cada vez mais solitárias”, explica Aires Fernandes, diretor de Marketing da Estrela, tradicional marca de brinquedos do país. A vida dos pequenos, nesse cenário, é preenchida por atividades extracurriculares e dispositivos que os conectam ao mundo. Como consequência, são antenados, detêm muitas informações e possuem grande influência e poder de decisão dentro de casa. Fernandes afirma que, logo quando a criança aprende a verbalizar, sua interferência nas decisões familiares já é gigantesca. “Temos pequenos imperadores dentro de casa”, brinca.

Em um cenário no qual as crianças possuem uma quantidade muito grande de informações, um desafio enfrentado pelo varejo infantil é conseguir acompanhar o ritmo dos eventos que as atraem. “Hoje em dia, as crianças anteveem lançamentos, sabem os próximos filmes que estarão nos cinemas, conhecem o enredo e seus personagens. Você tem que estar com os produtos prontos na situação do acontecimento e conseguir encantá-las com eles”, conta Aires. Segundo ele, incorporar aos brinquedos a tecnologia que já está presente no dia a dia, por exemplo, pode trazer bons resultados.

Outro ponto importante é marcar presença em todos os dispositivos, pois os pequenos buscam por conteúdo na plataforma, no momento que querem. É necessário trafegar pelos mesmos locais que eles para comunicar que o produto existe e despertar interesse. “Enxergamos a criança como o centro decisor do que ela ganhará de presente dos pais; então, temos que fazer nossa comunicação tanto na mídia tradicional quanto no mundo digital”, atenta. Essa onipresença também permite acompanhar as transformações pelas quais a criança passa com o tempo, possibilitando estar sempre atento ao que a provoca e instiga.

Ponto de vista psicológico

Em pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) para o Dia das Crianças do ano passado, 45,0% dos pais declararam ser pressionados pelos filhos quanto ao que será dado de presente e 25,9% deles acabam cedendo ao pedido. A psicóloga e psicopedagoga Patrícia Fiquene explica que, em muitas situações, isso é consequência da correria da vida moderna, que tem sido cada vez maior. “Ela acaba roubando os pais do convívio de qualidade com seus filhos, o que tem gerado nos adultos um sentimento de culpa muito grande. Para amenizar esse sentimento, acabam ‘compensando’ os filhos com bens materiais”, explica.

A criança é, muitas vezes, subestimada. No entanto, é um ser com desejos, necessidades e pensamentos. “As marcas entendem que esse público tem um grande potencial de consumo e, cada vez mais, têm dedicado esforços para atraí-lo”, diz Patrícia. É interessante observar, também, que as crianças são capazes de criar mecanismos para conseguir o que querem. “Elas aprendem e são reforçadas por diversas situações na vida cotidiana; a partir disso, desenvolvem seus comportamentos. Percebem o que podem fazer para conquistar algo com sucesso”, explica a psicóloga.

 

 

Com a palavra, os pais

No fim, são eles que batem o martelo. Confira as experiências e pontos de vista de alguns deles.

“Quando algum dos meus filhos quer me mostrar o que quer ganhar, geralmente me chama quando está passando a propaganda de um brinquedo que ele deseja, além de tentar me convencer ressaltando as qualidades do brinquedo e/ou preço. Eles costumam decidir os presentes, salvo se o valor estiver acima das nossas possibilidades ou não for adequado para a faixa etária.”
Julieta Vareschini (36), mãe de Alan (11), João Rafael (7) e João Emanuel (4)

“Ouço os pedidos de presente, avalio se são coerentes em termos de idade, uso e preço e vejo o comportamento da criança. Eles têm pedido presentes de maior custo ou que usarão poucas vezes. Com isso, mudo a opção. As crianças, de forma geral, são bastante suscetíveis e estão expostas a uma grande quantidade de informações. Sem um acompanhamento adequado, podem se tornar consumidoras compulsivas. Tento fazer isso e orientá-las rumo a um consumo mais consciente.”

Alysson Fernandes (41), pai de Ana Luísa (11) e Pedro Henrique (7)

 

“Minha filha é muito influenciada pelas amigas. Ela pede presentes de acordo com o que elas têm. Já o que mais influencia meu filho são os comerciais, que são muitos. Eu acho que as marcas têm se comunicado mal com as crianças: passam um comercial atrás do outro no meio dos programas infantis, tratam-nas como bebês ou seres que não pensam muito. Em algumas situações, você vê que elas tratam com uma infantilidade muito grande.”

Danielle Sfair (41), mãe de Maria Luiza (11) e João (6)

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