16 de março de 2018
Qual é a trilha sonora da sua loja?
Varejo SA por Varejo SA

Cada vez mais empresas têm utilizado estratégias sonoras para ter destaque no mercado e criar diferenciais

Por Carolina Laert

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Você já parou para pensar como a música influencia sua vida? Em momentos de diversão, relaxamento ou até tristeza, ela está diariamente mexendo com as emoções. No entanto, o que muita gente não sabe é que seus efeitos vão além do poder de entreter: o de comprar. Podemos até não perceber, mas, quando entramos em uma loja, nosso comportamento é influenciado por uma série de fatores, inclusive a música.

 

É por essa percepção que muitos varejistas investem no marketing sensorial. Quanto mais agradável for a experiência de compra do cliente, maiores serão as chances de retorno. “Foi-se o tempo em que a preocupação do varejista era apenas com uma vitrine ou a disposição dos produtos; o consumidor de hoje é mais exigente e quer ter uma boa experiência de compra, sendo a música fundamental para esse processo”, explica a empresária brasiliense Pricila Santos.

 

Dona da loja Estilo Pri, especializada em vestuário feminino, Pricila conta que as seleções musicais são feitas por ela. “Conheço bem minhas clientes e meu público-alvo. Essa compreensão foi essencial na hora da escolha da playlist que toca na minha loja, por isso sempre prefiro sons mais animados ou sucessos do momento, até porque meu público é bem moderno”, explica.

 

A empresária relata que a seleção é feita pelo Spotify, serviço de streaming de música. Há, no entanto, muitas empresas hoje no mercado que se especializaram nesse serviço; a Rádio Ibiza é umas delas. Considerada uma agência de marketing sensorial, a empresa cria uma trilha customizada de forma diferenciada para cada marca e segmento. Público, produto, comunicação visual e espaço, por exemplo, são levados em conta. Atualmente, a empresa tem em seu portfólio marcas como Farm, Schutz, Cantão, entre muitas outras.

 

Cuidado com sua playlist

 

Talvez a música em pontos de venda seja a modalidade mais conhecida no marketing sensorial. Um estudo de Adrian North, PhD em Psicologia da Música, mostrou que é possível aumentar ou reduzir em até 28% o consumo com a música menos ou mais adequada. É nisso que as empresas apostam na hora de pensar na sua marca a partir do music branding, estratégia de marketing voltada à construção de identidade utilizando músicas e playlists personalizadas que atendam especificamente ao público que irá consumi-la.

 

Um exemplo dessa estratégia utilizada corretamente é da Abercrombie & Fitch, que tem a música como uma das principais estratégias de venda. Com um público-alvo bem definido, os adolescentes, as trilhas sonoras utilizadas são cuidadosamente escolhidas para criar um clima de festa, com música alta e animada, fazendo com que os clientes consumam com mais disposição.

 

Já nas lojas de luxo, por exemplo, a ideia é transmitir uma sensação mais sofisticada e requintada aos clientes, além de fazer com que eles permaneçam mais tempo dentro da loja; por isso, geralmente, a playlist costuma ser mais suave.

 

Legislação

 

Ao tocar músicas em suas lojas, as empresas devem prestar atenção ao recolhimento dos direitos autorais de músicos e compositores. O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) é o órgão responsável pela arrecadação e distribuição dos direitos autorais das obras musicais, cobrando os direitos autorais de lojas que tocam música sem buscar a permissão específica dos artistas.

 

Segundo o Ecad, quando uma loja for tocar algum CD como música ambiente, antes deve informar-se para pagar os direitos autorais ou entrar em contato com o autor da música, pedindo a liberação via carta. Existem vários meios de o órgão fiscalizar os estabelecimentos comerciais, sendo o mais comum os próprios artistas ligarem dizendo que estavam numa loja ou num supermercado e ouviram sua música.

 

Saiba mais

Marketing sensorial significa um conjunto de estratégias de estímulo que se utilizam dos cinco sentidos: tato, olfato, visão, paladar e audição. Para ser eficiente é preciso conhecer bem o produto e o cliente. O objetivo é construir uma experiência singular no ponto de venda, mostrando de forma prática o lifestyle por trás da marca e criando um vínculo emocional com o cliente.

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