11 de dezembro de 2019
Perfil professor Lobão
Varejo SA por Varejo SA

A partir de janeiro, a Varejo s.a. ganhará mais uma fera para o seu time de colaboradores. Luis Lobão, um dos maiores especialistas brasileiros em governança corporativa e estratégia empresarial, passará a assinar uma coluna voltada para o universo das empresas familiares. A escolha não foi à toa: ele é autor da coleção Família e Negócio (Ed. Autografia), uma obra monumental de sete volumes que destrincha todos os aspectos desse tipo de negócio.

O assunto é pertinente. Dentro do universo do varejo, as empresas comandadas por famílias são as mais antigas e comuns do mundo, por isso nada mais natural que abordar esse tema em nossas páginas. Mas a chegada de Lobão não se deve apenas a isso: tê-lo em nossas páginas é um luxo para o leitor. Consultor e palestrante internacional, foi diretor da HSM Educação Corporativa e professor da Fundação Dom Cabral. Além disso, é mestre em Engenharia de Produção, com curso na Harvard Business School. Será, com certeza, útil para nossos leitores.

Para começar a criar intimidade com o novo colega, aproveitamos uma pausa na agenda corrida do professor para saber um pouquinho sobre ele e o trabalho que vai desenvolver em nossas páginas. 

Você é formado em Engenharia Mecânica. Como se tornou consultor?

Quando me formei, segui os passos do meu pai e fui trabalhar no setor siderúrgico. Para mim, era um orgulho ser um engenheiro de produção, afinal sempre estive muito perto dessa função. Tudo corria bem, até que um dia a empresa em que eu trabalhava se candidatou ao Prêmio Nacional da Qualidade. Nesse processo, eu fui indicado para ser o elo entre a siderúrgica e uma renomada empresa de consultoria. Naquele momento, descobri que era aquilo que eu queria fazer!

Como se deram seus primeiros passos fora do chão da empresa?

Eu era executivo do Grupo Gerdau, responsável pela área de planejamento estratégico e desenvolvimento da qualidade. Depois, fiz dois programas de especialização e um mestrado em Engenharia de Produção. Nessa época, comecei a dar aulas no Senai e em uma faculdade para o curso de Administração de Empresas. Senti logo que a minha vocação era mesmo contribuir para o desenvolvimento de pessoas e organizações.

Ser consultor é como ser crítico de cinema: o sujeito nunca faz nenhum filme, mas dá “pitaco” na obra de todo mundo?

Maldade com os críticos! Tem um ditado popular sobre consultores que diz que quem sabe faz e quem não sabe fazer ensina! Brincadeiras à parte, eu me orgulho muito de ser, antes de tudo, um professor. É como me apresento. Tenho o sentimento de que meu papel é aprender com a experiência de outras organizações e processar esse conhecimento.

Só parece ser fácil, né?
Sim! Tem muito estudo e pesquisas por trás desse processo. É assim que consigo ajudar de forma prática as empresas a melhorar seus negócios, grupos familiares a desenvolver seu modelo de governança e ambos se tornar mais competitivos e longevos. Essa prosperidade traz riqueza para as pessoas, emprego e crescimento econômico para o país. Esse é meu legado!

E seu legado já está enorme, não?

Olha, tive oportunidade de trabalhar com grandes organizações e instituições. Esse é um grande privilégio que o bom Deus me deu. Fiquei 15 anos como professor pesquisador da Fundação Dom Cabral e mais seis anos como professor da HSM Educação Corporativa. Foram muitos momentos interessantes.

Qual foi a primeira vez em que você percebeu a importância do seu trabalho?

A primeira vez que me senti realmente útil foi quando assumi um projeto de reposicionamento estratégico de uma empresa do setor de construção e montagem. Ela estava passando por grande dificuldade. Três anos depois, após um plano estratégico que estruturamos, se tornou capa de uma revista especializada, sendo apresentada como referência no seu setor.

E um trabalho que lhe deu orgulho?

Toda vez que executo um bom trabalho, sinto-me orgulhoso, mas vou citar dois em especial. Um foi a consultoria que fizemos com a Dudalina. Foram quase 14 anos de trabalho árduo para transformar uma empresa de confecção desconhecida em uma das marcas de moda feminina mais desejadas do país. Outro foi meu primeiro projeto internacional. Fui convidado a atuar no Chile junto a um grupo familiar. Foi quando descobri que, além da estratégia empresarial, uma empresa familiar precisa de um modelo de governança que se sustente em longo prazo. Esse projeto me lançou para uma carreira internacional em mais outros sete países, sempre trabalhando na formulação estratégica e no desenvolvimento de empresas familiares.

E agora você vai passar essas dicas para nossos leitores.

Olha, vai ser uma grande satisfação contribuir com a Varejo s.a. Fiquei muito feliz e honrado com o convite! O varejo é um setor da economia extremante relevante e passa, neste momento, por grandes desafios. Vamos tentar trazer para a revista dicas e recomendações sobre o universo das empresas familiares, reflexões sobre o papel da liderança e de como melhorar as estratégias e a experiência do consumidor. Meu objetivo aqui é ser relevante para o leitor.

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