4 de janeiro de 2019
O que 2019 reserva para o Brasil?
Renata Dias por Renata Dias

Projeções econômicas e novo cenário político justificam novas esperanças com o ano que começa

Todo ano começa assim: planejamentos, expectativas e esperanças renovadas. Apesar de não sabermos o que o futuro nos reserva, a cada ano contamos com análises e projeções de economistas em busca da notícia tão aguardada por todos os brasileiros, a recuperação do crescimento econômico. Não se trata de futurologia, mas sim de um exercício fundamental, afinal tais perspectivas auxiliam a pensar nas variáveis mais importantes que podem impactar os resultados e refletir sobre os diferentes caminhos que podem vir pela frente.

O novo governo eleito e empossado neste mês é um dos principais motivos para o clima de otimismo no ar. Depois de quase dois meses de trabalhos com a equipe de transição, o governo de Jair Bolsonaro já tem um perfil definido. Seus 22 ministros estão confirmados e a perspectiva de uma gestão reformista anima o mercado. Segundo uma sondagem realizada em dezembro pela XP Investimentos, para 83% dos investidores institucionais entrevistados, a nova gestão será ótima ou boa contra apenas 4% que projetam um governo ruim ou péssimo.

A renovação no Congresso Nacional também contribui para um clima positivo. O resultado que emergiu das eleições de 2018 mostrou uma forte rejeição aos partidos e políticos tradicionais e impôs uma ampla renovação nos quadros. Na Câmara, 52,54% dos parlamentares não fazem parte da última legislatura, e no Senado, 85,19%.

O cenário otimista também está refletido no ânimo de micro e pequenos empresários do varejo e serviços, que preveem uma recuperação da economia para os próximos meses. Dados apurados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revelam que, após as eleições, o Índice de Confiança alcançou 61,8 pontos em novembro frente 53,9 pontos em outubro — o que representa um avanço de 15%. Este é o maior valor da série histórica, que teve início em 2015, quando foi registrado 36,6 pontos.  

E varejo, como fica?

Para Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), traçar a perspectiva para o setor varejista significa analisar quatro elementos importantes da economia nacional: índices de confiança, emprego, renda e crédito. A confiança do consumidor dá o tom sobre o humor das pessoas para usar o seu dinheiro e a confiança dos empresários mostra sua disposição para realizar investimentos. Os últimos indicadores do fim de 2018 revelam números do período pré-crise, um salto que comprova uma visão positiva sobre o que vai acontecer. O mesmo acontece com os indicadores de renda que mostram se o dinheiro em circulação é maior ou menor do que os períodos anteriores.

Já a questão do emprego ainda engatinha. Em dois anos de crise, o Brasil perdeu aproximadamente quatro milhões de vagas e, apesar de uma sutil recuperação em 2018, a taxa de desempregos e trabalhadores informais ainda segue alta. Mas, novamente elas, as projeções do mercado apostam na criação de 1,7 milhão de empregos em 2019, no setor público e privado.  E, o crédito talvez seja o elemento mais sensível a ações do novo governo já que recebe influência mais direta das taxas de juros e questões bancárias.

Para Eduardo Terra, as ações do novo governo nos primeiros 100 dias serão determinantes e a reforma da previdência é um ponto crucial, que precisa de respostas rápidas. “Vejo dois cenários. Um muito ruim, que seria a não aprovação das reformas essenciais. Se não forem aprovadas, a confiança e investimentos devem cair significativamente. Já em um outro cenário, com a aprovação de reformas e o controle da inflação, acredito que o varejo pode ter um crescimento real de até 6% neste ano”, analisou Terra.

O presidente da SBVC alerta aos empresários para os custos agregados ao varejo. “Por exemplo, começamos o ano com o IGPM, índice que reajusta os aluguéis, acumulado em quase 10%. São custos que estão represados por algum tempo, então mesmo com a economia voltando a girar neste ano, é preciso ter muita atenção aos custos indexados aos negócios”, alertou.

Produtividade

Mas e aquela sensação de que o tempo passa cada vez mais rápido? Sabemos que o Brasil tem baixíssimos índices de produtividade e estamos bem atrás em rankings internacionais. Como ter um ano mais produtivo? Começando pelo básico: para ter resultados diferentes, faça de forma diferente

Para Paulo Kretly, presidente da FranklinCovey, líder mundial em eficácia corporativa e pessoal, produtividade tem a ver com a gestão das escolhas e valores que definimos na nossa vida. “Antes, a gente usava a expressão gestão do tempo, mas a verdade é que não o gerenciamos e, independente da nossa vontade, o tempo simplesmente passa. O que podemos e devemos gerenciar são nossas atividades, nossas escolhas e o que definimos como nossas prioridades. Uma vez que elas estejam mais claras, aí sim, é preciso estar atento às interrupções e nos policiar sobre o que realmente é urgente e o que não é”, explica Kretly.

No mundo dos negócios, para melhorar a produtividade e alcançar melhores resultados neste ano que começa é preciso dedicação para realizar as tarefas definidas, da melhor forma e buscar eficiência no que faz.

Para aqueles que estão pensando em abrir um negócio, a dica do especialista é ter uma visão clara de onde quer chegar e buscar ferramentas e tecnologias disponíveis para auxiliar no planejamento e gestão de uma nova empreitada. “Empreender é sempre um desafio, mas as realizações podem ser muito gratificantes ao longo do tempo. Empreender é oportunidade de criar, de ir além. Quando empreendemos com o coração e mente envolvidos, o negócio prospera. Quando conseguimos engajar mais pessoas, o negócio se multiplica. É desafiador, cheio de dificuldades, mas pode ser muito gratificante e recompensador em vários aspectos da vida, inclusive financeiro”, indica Kretly.

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