11 de junho de 2019
O mago dos manequins
Renata Dias por Renata Dias

CEO da Expor Manequins, Marcos Andrade volta à Presidência da ABIESV

Depois de 12 anos, Marcos Andrade reassume a Presidência da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo (Abiesv). O empresário foi o primeiro presidente da entidade, logo em sua fundação (2004-2007), e nesse intervalo continuou atuando na associação em outros cargos. Dentro dos planos para a Abiesv, dedica-se à recém-criada Diretoria de Inovação e Startups e destaca a nova Diretoria de Educação, com o objetivo de promover cursos e qualificação para os varejistas e associados.

Andrade é mentor de start-ups e acompanha bem o desenvolvimento dessa área. “A Abiesv reúne os fornecedores do varejo e hoje existem mais de 400 start-ups voltadas para serviços de varejo no Brasil, abrindo oportunidades com novas tecnologias aplicadas. Então, estamos montando essa área dentro da associação para integrar as start-ups que já são fornecedoras do varejo ou que ainda serão”, destaca.

Neste ano, seus planos também envolvem as ações de marco dos 50 anos da Expor Manequins, empresa líder do mercado na América Latina. Fundada pelo seu pai, Andrade só começou a trabalhar na empresa da família em 1992. “Logo depois que comecei na Expor Manequins, fechamos um acordo com uma empresa dinamarquesa que era a maior do setor na época e estava com dificuldades para abrir mercado na América do Sul. Aí, começamos a fazer os manequins com a expertise deles e iniciamos parcerias para exportar”, relembra.

Hoje, a Expor Manequim tem unidades operacionais no México e Colômbia, além de escritórios de representação no Chile, Peru e Panamá. Com um faturamento médio em torno de R$ 45 milhões somente aqui no Brasil, a empresa é líder desse segmento. “Já produzimos mais de 1,5 milhão de manequins, uma cidade, né?”, brinca o empresário.

Um dos segredos do sucesso está na postura inovadora que sempre integrou o DNA da empresa. De acordo com o empresário, eles foram pioneiros na produção de manequins de fibra de vidro, de plástico, os primeiros a usar modelagem em 3D, robôs para pintar os manequins, além de serem os primeiros a escanear modelos vivos para obter manequins mais próximos do corpo real da mulher brasileira. “Temos um aplicativo em que é possível projetar os manequins diretamente na vitrine, o que diminui muito a insegurança do nosso cliente. Às vezes, o lojista pensa em manequins, mas não consegue visualizar o resultado. Com esse app, dá para ter uma ideia mais realista de como a vitrine vai ficar”, anima-se.

Ao falar da diversidade de uso de manequins no varejo, Andrade afirma que não é só no setor de vestuário e moda que eles ganham destaque. É possível utilizá-los nos mais variados segmentos, como em lojas de tecnologia, restaurantes ou qualquer negócio em que se queira criar um ambiente com mais vida. “O manequim precisa refletir o estilo de vida daquela marca, daquele público. Ele precisa comunicar bem, é quase um embaixador da marca e deve retratar a qualidade daquela loja. As lojas de departamento, por exemplo, de uns anos para cá, passaram a utilizar um número quatro vezes maior de manequins. Eles não estão mais somente nas vitrines, também estão em vários ambientes dentro da loja. E não é porque fica bonito, é porque gera resultado em vendas”, destaca o empresário.

De acordo com pesquisas, o manequim é o segundo fator mais importante na venda de roupas – cerca de 42% das pessoas são influenciadas pelos manequins no varejo de moda. A área de visual merchandising é estratégica para os lojistas. Para Andrade, muitas vezes a diferença entre estar aberto e fechado pode estar na vitrine e o visual merchandising pode determinar o sucesso do negócio.

O empresário também destaca as mudanças que a transformação digital vem trazendo para o varejo. Com o comércio on-line, os varejistas passaram a ter muito mais dados e informações sobre o comportamento do consumidor e a tecnologia vem para auxiliar nas estratégias. “A loja física está longe do fim; pelo contrário, ela é quase um espaço premium. Não preciso mais da loja para fazer uma transação, mas é no varejo físico que a relação acontece. A loja é o melhor lugar para criar um relacionamento emocional com o cliente. Nesse sentido, ela ficou até mais importante e precisa ser pensada com mais estratégia”, explica.

Paixão – “Quem gosta de associativismo gosta mesmo. Eu participo até de conselho da escola e grupo do bairro. Acredito que as pessoas precisam se envolver de verdade, sozinho ninguém consegue nada”, declara. Inclusive, ele conheceu a atual esposa em um treinamento para jovens empresários no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). “Networking tem muitas vantagens”, brinca.

Para ele, diante de um cenário tão diverso no varejo, o movimento associativista ganha mais importância ainda ao contribuir com a profissionalização e aperfeiçoamento da atividade. “A ideia da Abiesv é oferecer ferramentas, oportunidades, trazer informação de qualidade para os varejistas. Reunimos fornecedores capacitados que possam realmente agregar valor ao lojista”, revela. Conhecimento, estratégia, sensibilidade, tecnologia e união. Para ele, esse é o caminho do sucesso.

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