3 de novembro de 2018
O Brasil e o mundo
por Marcela Kawauti

Os desafios internos são muitos, mas convém não se esquecer do mundo lá fora. Uma década depois da crise que devastou a economia mundial, o crescimento global deverá alcançar a marca de 3,7% em 2018, segundo a última projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI). É um pouco menos do que se previa em julho.

O relatório destaca dois grandes grupos de países: o das economias avançadas, com crescimento projetado em 2,4%; e o das economias emergentes, com crescimento projetado em 4,7%. Os Estados Unidos, a maior economia do mundo, deverá crescer 2,9%, número que sugere aceleração da atividade econômica na comparação com os resultados anteriores (1,6% em 2016 e 2,9% em 2017). Para a China, o crescimento projetado (6,6%) é menor do que aquele observado em 2017 (6,9%).

Mesmo com a revisão das projeções do fundo, o crescimento da economia mundial é razoável, mas há riscos associados ao aumento das tensões comerciais que resultaram da onda protecionista iniciada com o aumento de tarifas sobre exportações nos Estados Unidos.

Às voltas com os próprios dramas, o Brasil destoa dos desenvolvidos e dos emergentes: para 2018, o FMI projeta crescimento de 1,4%. Na corrida do desenvolvimento, não basta o país crescer: é preciso avançar mais rapidamente que os outros e de forma recorrente. Não é de hoje, porém, que ele apresenta um desempenho abaixo da média mundial.

O reflexo mais imediato do quadro mundial sobre a nossa economia está no dólar. Há dois vetores principais atuando sobre as oscilações da moeda americana, que exibiu franca valorização nos últimos meses. Um é externo: o aumento dos juros nos Estados Unidos torna os rendimentos dos títulos americanos relativamente mais vantajosos, especialmente quando se compara com os nossos em épocas de juros baixos. O outro é interno, relacionado com o crescimento das incertezas durante a corrida eleitoral. Assim, o dólar se torna mais atraente que o real. O resultado é sua cotação oscilando próximo dos R$ 4,00, patamar que não se via desde o início de 2016.

Por ora, a despeito dos riscos, que sempre estarão presentes, o quadro externo não inspira grandes preocupações. E é diante desse quadro que o Brasil iniciará um novo ciclo em breve. Poderá, a depender do rumo que dê à política econômica, acelerar o ritmo da atividade econômica e, quem sabe, reduzir a distância, infelizmente crescente, com relação ao mundo desenvolvido.

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