1 de outubro de 2017
Novidade em São Paulo: Instituto Moreira Salles abre suas portas
Varejo SA por Varejo SA

O novo centro cultural fica em um prédio de sete andares na avenida Paulista e conta com projeto arquitetônico que revela forte diálogo entre a obra e a cidade

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Um novo projeto promete agitar ainda mais a cena cultural da cidade de São Paulo. No dia 20 de setembro, o Instituto Moreira Salles (IMS) abriu suas portas em um prédio projetado pelo escritório Andrade Morettin, na avenida Paulista. O projeto foi vencedor de um concurso, realizado em 2011. A fachada de vidros translúcidos permite que a luz natural invada o local, que, durante a noite, se transforma em uma lanterna na avenida. Para que a conversa entre o prédio e a rua fosse ainda mais efetiva, a entrada do local é nivelada com a calçada externa.

Logo na porta do prédio, duas escadas rolantes direcionam os visitantes a uma praça, localizada no quarto andar. Dali, é possível ter uma vista incrível da avenida Paulista. O revestimento de azulejo português no piso, um dos primeiros usados nas calçadas paulistanas, traz a memória afetiva da cidade.

São três andares com galerias, dedicadas às exposições. Para a inauguração, foram abertas cinco mostras: Robert Frank, os americanos + os livros e os filmes, sobre um dos nomes mais importantes da história da fotografia; a videoinstalação The clock, de Christian Marclay; Corpo a corpo, com um recorte da produção brasileira contemporânea em fotografia, cinema e vídeo; São Paulo, três ensaios visuais com curadoria de Guilherme Wisnik; e Câmera aberta, de Michael Wesley. As duas últimas ocupam o estúdio, um espaço de experimentação em que especialistas podem explorar o acervo do IMS por meio de grandes projeções fotográficas e os visitantes podem entrar em contato com essas obras.

Ocupam os outros andares uma biblioteca de consulta totalmente dedicada a publicações fotográficas, com capacidade para 30 mil títulos, e um cineteatro, que receberá palestras e apresentações musicais e terá uma intensa programação cinematográfica. Em cada último domingo do mês, apresentações gratuitas de rodas de samba e choro se alternarão no térreo do prédio.

Outras duas atrações são a livraria Travessa, que chega a São Paulo e ficará na praça, com um catálogo focado nas publicações nacionais e importadas sobre fotografia, e o restaurante Balaio, comandado pelo chef Rodrigo Oliveira, do Grupo Mocotó. No espaço de 70 lugares, 90% do cardápio será inédito, privilegiando petiscos e pratos para compartilhar, seguindo a linha de cozinha artesanal brasileira e autoral.

Serviço
IMS
Endereço: Avenida Paulista, 2424 – São Paulo
Funcionamento: Terça-feira a domingo, das 10h às 20h
Quinta-feira, das 10 às 22h
Feriados (exceto segunda-feira), das 10h às 20h
Entrada gratuita

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O maestro em foco

Filme relata a trajetória de João Carlos Martins

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A história de superação do maestro João Carlos Martins é mesmo de cinema. Com uma infância reclusa, devido a sérios problemas de saúde, o piano entrou na sua vida quase como uma obsessão e o transformou, em poucos anos, em um dos maiores nomes da música erudita. No momento em que passa a ser reconhecido pela comunidade artística internacional, ele sofre um acidente que afeta um nervo de seu braço e interrompe sua carreira. Martins não desiste e volta a tocar, mas outro golpe do destino interrompe sua trajetória musical novamente. Em um assalto, o músico é agredido e sofre lesão cerebral, que afeta todo seu lado direito. As dores são insuportáveis e os médicos decidem cortar o nervo da sua mão direita. Usando apenas a mão esquerda, ele realiza inúmeros concertos pelo mundo, o que causa sobrecarga na sua mão e um câncer. Sem desistir da sua paixão pela música, ele acaba se tornando maestro.

O longa João, o maestro tem direção e roteiro de Mauro Lima e, no elenco, atores globais, como Alexandre Nero, Alinne Moraes, Fernanda Nobre e Caco Ciocler. A trilha sonora do filme é composta por gravações do próprio João Carlos Martins, que registrou toda a obra de Johann Sebastian Bach e se tornou referência, ao lado do lendário Glenn Gould. Boa parte das cenas internas foi realizada na casa do maestro Eleazar de Carvalho e um dublê de mãos ficou responsável pelos detalhes, mas os atores também foram acompanhados por uma professora, para manter a sincronicidade.

Ao longo de seis décadas de carreira, o maestro gravou 30 discos dedicados à obra completa de Bach, boa parte deles considerada essencial na discografia de música erudita, além de Mozart, Chopin e uma belíssima gravação do Concerto para mão esquerda, de Maurice Ravel.

Martins também já havia sido biografado no documentário alemão A paixão segundo Martins, de Irene Langemann, e no filme belga Rêverie, de Johann Kenivé e Tim Heirman.

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