11 de março de 2019
Mulheres
Marcela Kawauti por Marcela Kawauti

Há algum tempo, fizemos uma pesquisa com mulheres para entender os interesses e a forma como a brasileira lida com o consumo. As tendências captadas pelo estudo certamente se mantêm válidas ainda hoje.

A primeira constatação foi de que quase 60% das entrevistadas trabalhavam fora de casa. Entre elas, três motivações se destacaram: o pagamento de despesas para ajudar a manter a família, a realização pessoal e a independência financeira. Os dados sugerem que a mulher brasileira reconhece a importância dos seus ganhos para o orçamento familiar, mas trabalha também porque gosta ou quer ter uma margem para gastar consigo mesma.

Olhando o universo daquelas mulheres que não trabalhavam, a maior parte mencionou, em tempos de desemprego, o fato de não conseguir uma vaga. Outras decidiram se dedicar por algum tempo à educação dos filhos.

Nem sempre, porém, a decisão é da mulher: embora em número menor, algumas ainda deixam de trabalhar por decisão do cônjuge e outras, porque não teriam condições de pagar alguém para cuidar dos filhos. Num caso, manifesta-se um problema cultural; no outro, a falta de acesso a creches, ou seja, de políticas públicas.

Entre as casadas, a maioria ainda sente que as responsabilidades não são igualmente divididas com o cônjuge, daí resulta que, depois das questões financeiras, um importante motivo de briga é a divisão de tarefas. O IBGE confirma: em 2016, as mulheres que trabalhavam dedicavam 18,1 horas semanais aos afazeres domésticos, 73% a mais que os homens, que dedicavam 10,5 horas.

A pesquisa evidenciou que algumas coisas já mudaram: a maior parte das mulheres se vê, de acordo com o estudo, como batalhadora, alegre, livre e motivada. Mas ainda há muito o que mudar. É o caso, por exemplo, da representação feminina na política: o número de deputadas cresceu, mas as mulheres ainda ocupam apenas 15% das cadeiras da Câmara Federal.

Embora esse seja um tema mais afeito ao campo da cultura, as implicações econômicas são claras. Na medida em que se abrem espaços para a atuação das mulheres, suas aspirações e relações ampliam-se e modificam-se, ou seja, o mercado de consumo e a economia brasileira só têm a ganhar com o aumento do campo de atuação delas, seja no mercado de trabalho, seja no âmbito doméstico.

Que todas as mulheres possam exercer sua vocação. A sociedade só tem a ganhar.

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