3 de novembro de 2018
Muito além do comércio
Amanda Wall por Amanda Wall

Que o varejo movimenta o Brasil, não há dúvidas. Mas o papel do setor ultrapassa a economia: duas iniciativas ligadas às Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDLs), em Belo Horizonte (MG) e Lages (SC), chamam a atenção pelo seu caráter social.

A Fundação CDL Pró-Criança, criada na capital mineira em 1986, oferece programas sociais e culturais para crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade social. Atualmente, desenvolve cinco ações, todas com a missão de promover a igualdade de oportunidades e fortalecer o exercício da cidadania. “A fundação surgiu das necessidades da comunidade e da urgência em darmos um retorno para a cidade em que vivemos. É uma oportunidade de transformar a vida das crianças e dos jovens que atendemos”, explica Vilson Mayrink, seu presidente.

O Programa Educação e Trabalho (PET)qualifica e insere adolescentes e jovens de 15 a 20 anos no mercado de trabalho. Durante a aprendizagem, eles recebem formação técnico-profissional nas áreas de comércio e serviços, administração e logística e desenvolvem atividades culturais, como visitas a museus, exposições e mostras de arte. São cerca de quatro mil beneficiados pelo programa todos os anos. “É uma forma de oferecer oportunidades para quem realmente quer buscar uma vida melhor. Sempre procuramos falar sobre empreendedorismo, para que os jovens saibam que podem lutar para mudar de vida. Nosso trabalho, em parceria com a CDL Jovem, pretende formar líderes diferentes com uma sólida formação social”, observa Mayrink.

Olhos e sorrisos cuidados – Dois programas têm foco na saúde de crianças e adolescentes: Ver é Bom Demais e Sorridente. O primeiro, criado em 2002, facilita o acesso de crianças e adolescentes à assistência oftalmológica. A Fundação CDL Pró-Criança, com apoio de voluntários, realiza o teste de acuidade visual e quem é diagnosticado com baixa visão segue para consultas médicas gratuitas com oftalmologistas parceiros. Quando necessário, a entidade faz a doação de óculos. A segunda iniciativa, desenvolvida em parceria com a CDL Jovem, promove a assistência odontológica preventiva a crianças e adolescentes de famílias de baixa renda. O Sorridente realiza palestras de conscientização sobre a importância e necessidade do autocuidado e os reflexos da saúde bucal no restante do corpo.

Brincar é fundamental – Fruto de uma parceria com a CDL Jovem, o programa Brincadeira é Coisa Séria, criado em 2011, constrói brinquedotecas em instituições de acolhimento. A ideia é criar um espaço de estímulo e valorização das atividades lúdicas, essenciais para o desenvolvimento cognitivo, motor e psicossocial das crianças. São espaços que recebem crianças e adolescentes em situação de abandono ou violação de direitos, retirados da convivência familiar por recomendação do Juizado da Infância e da Juventude ou pelos Conselhos Tutelares. Desde o início do programa, já foram construídas dez brinquedotecas em instituições de Belo Horizonte.

Observatório Social de Lages (OSL) – Fundado em 2012, o OSL monitora a aplicação de recursos públicos e realiza atividades de educação fiscal nas escolas públicas da cidade catarinense. A CDL Lages é um dos sócios fundadores e principal apoiadora do observatório. “Além do controle dos gastos públicos, a iniciativa de educação fiscal já ensinou para mais de 600 alunos da rede municipal o que são e para que servem os impostos e tributos que pagamos, de onde vem o dinheiro que os gestores usam para pagar as contas da cidade e como podem colaborar com a economia para os cofres públicos não depredando o patrimônio ou jogando lixo na rua, por exemplo”, afirma o presidente do OSL, Fabiano Ventura.

A ação de controle dos gastos por meio da prevenção e do monitoramento das compras do governo por parte do observatório conseguiu gerar economia aproximada de R$ 5 milhões aos cofres públicos do município de Lages. “A parceria com a CDL Lages também gera uma contrapartida para o varejo, uma vez que a entidade incentiva os empresários locais a participar das licitações e concorrer com as companhias de fora, o que movimenta a economia local”, diz Ventura.

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