7 de fevereiro de 2017
Loja tem que ter cheiro
Varejo SA por Varejo SA

Novas tecnologias e perfumistas especializados podem contribuir para aumento das vendas. Seduzir o cliente pelo olfato é garantia de que o seu produto vai demorar a ser esquecido.

Nas sociedades mais primitivas, vários povos já usavam cheiros e odores pelo ar para conversar com os espíritos. O uso de incensos e banhos de cheiro entre os encantados, em templos religiosos e ambientes esotéricos continua existindo, mas o cheiro ganhou também corredores de shoppings, interior de lojas e esquinas comerciais.

Encantar o cliente pelo nariz não é novidade, mas as tecnologias de perfumar ambientes estão cada vez mais sofisticadas. Óleos aromáticos e perfumes nas prateleiras deixaram de ser exclusividade das lojas de cosméticos e foram substituídos por recursos e máquinas que borrifam odores pelo ar. As novas tecnologias, dizem lojistas e cientistas, têm efeito positivo nas vendas.

Uma pesquisa feita pela Universidade de Rockfeller, em 1999, mostra que o cérebro humano tem a capacidade de memorizar 35% dos aromas que sentiram, contra 5% do que viram. Então é hora de pensar que, depois de envolver o consumidor pela vitrine, talvez seja o caso de despertar outros sentidos para cativá-lo de vez. Os cientistas que realizaram essa pesquisa ganharam em 2004 o prêmio Nobel de Medicina pela descoberta de uma família de genes relacionados à capacidade humana de sentir cheiros.

A explicação é neurológica e psicológica: um cheiro bom pode mergulhar o cliente em memórias profundas, despertar desejos, e até criar uma relação afetiva com o produto. Em um mundo onde a concorrência é crescente e os clientes buscam cada vez mais experiências associadas aos produtos, o uso do marketing olfativo pode fazer a diferença.

Marcas conhecidas e gigantes do varejo como Burberry e Abercrombie foram as pioneiras no mundo do varejo. No começo, borrifar perfumes nos corredores foi uma ideia para aumentar vendas de cosméticos. Logo perceberam que isso denotava uma identidade com a marca e as pessoas passavam a reconhecer o estabelecimento mesmo antes de entrar no ponto de venda.

No Brasil, um dos casos pioneiros foi a loja Giovanna Baby, que criou uma fragrância para vender roupas de bebê. O perfume acabou superando a marca e a colônia de mesmo nome virou moda entre adolescentes na década de 80.

O marketing olfativo está desenvolvendo novas tecnologias. A empresa Airsense existe desde 2009 e foi precursora em trazer para o Brasil a aromatização por sistema de micronévoa, uma técnica menos poluente. “Fomos em busca de um sistema que despejasse menores quantidades de óleo nos dutos”, explica o diretor Rodrigo Mattoso.

O negócio da Airsense é abrangente: inclui a criação de aromas e também a locação de equipamentos para a odorização dos ambientes. A empresa possui hoje mais de 40 clientes que alugam equipamentos e renovam seus refis todo mês e outros 400 clientes compram produtos avulsos e refis para suas máquinas próprias. Até pessoas físicas vieram em busca do serviço, para as suas residências.

MAIS COMERCIANTES BUSCAM NOVOS CHEIROS

[sc name=”img-post-app” caminho=”http://revistavarejosa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/caixa8.png” ]

Cheiros artificiais de pão quentinho, de cosméticos para bebê, café, frescor da manhã, perfume de mulher, bebê, sensação refrescante. Não existem limites para a criação de um produto. A gama de empresas que querem agarrar o cliente pelo cheiro se expandiu, e hoje: shoppings, academias de ginástica e concessionárias de carro investem no serviço.

“A criação de uma fragrância ultrapassa os limites de um perfume agradável. Para chegar na identidade de um produto, é preciso aliar teorias de marketing olfativo com as demais estratégias de marketing da marca.

Fazemos um briefing detalhado, estudamos o posicionamento da marca, a imagem que querem passar para os clientes internos e externos, e consideramos até a identidade visual e as cores para criar algo que combine”, detalha o diretor da AirSense.

O uso da tecnologia – e não só da química – também ajuda nos bons resultados. O shopping Cidade Jardim, em São Paulo, tentou por muitos anos emplacar um sistema odorizante que melhorasse a experiência dos consumidores. Por se tratar de um shopping a céu aberto, várias tentativas deram errado. Com novas máquinas e tecnologia aprimorada, a experiência deu certo.

[sc name=”img-post-app” caminho=”http://revistavarejosa.com.br/wp-content/uploads/2017/01/caixa7.png” ]