10 de dezembro de 2016
Jovens talentos em busca de inovação
Varejo SA por Varejo SA

Cotidiano Acelera Meu Projeto. As iniciais formam a palavra camp, uma das principais atividades da startup brasiliense Cotidiano, que oferece um programa de aceleração para jovens talentos poderem se enquadrar no perfil de empreendedores. São sete semanas de imersão em Brasília, onde pequenas empresas, com potencial a ser desenvolvido, recebem mentoria e treinamento. No fim da experiência, as startups nascentes apresentam seus projetos no evento Demo Day. O último deles ocorreu em 19 de novembro, no espaço do Sebrae Nacional, na 515 Norte. “Nós vamos moldando as startups, para que elas entendam os próprios gaps e tenham melhoria de performance”, explica o sócio André Fróes. São promovidos contatos com investidores, programadores e designers gráficos.

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A startup candanga nasceu há um ano, a partir de conversas entre amigos brasilienses da área de tecnologia da informação. São três Andrés – Fróes, 35 anos; Casimiro, 35 anos; e Faria, 34 anos – e Wesley Almeida, 41, que trabalha online nos Estados Unidos. No fim de março, fizeram a primeira chamada para inscrição no Camp, realizado a cada semestre. “A startup cresce muito rápido e a um custo baixíssimo de distribuição de produto, porque usa a tecnologia em canais de marketing digital, como Facebook, games, Google”, analisa Fróes.

Os três pilares da Cotidiano são: atrair jovens talentos para o caminho da inovação; captar investimentos para os negócios; e fazer a aproximação com grandes empresas que ainda não acompanham a evolução de mercado. “É preciso despertar o lado empreendedor desses jovens, tirar as ideias do papel e validá-las com clientes reais para que elas possam se tornar startups”, ensina o sócio.

A ponte entre as novas startups e as grandes empresas  traz benefício para ambos os lados. É fator de crescimento para as novatas e um convite para empreendedores usarem recursos tecnológicos no negócio. Esse apelo é inadiável. Os varejistas que preferirem ficar à margem correm sérios riscos. “O líder de segmento de mercado será digital”, garante Fróes. “As grandes empresas estão preocupadas em manter o negócio no dia a dia e não percebem essa inovação.”

A compra online é a nova realidade. Bebês crescem agarrados à mamadeira e ao tablet, crianças passam horas conectadas a canais digitais e adolescentes fazem buscas antes de adquirir qualquer produto. “As gerações estão mudando, as pessoas já nascem dentro da tecnologia, e os jovens consumidores não imaginam o mundo sem a internet”, percebe o especialista. Os varejistas terão, portanto, quer queiram ou não, de se adaptar a esse novo perfil de cliente ou o prejuízo será inevitável.

[blockquote author=”” link=”” target=”_blank”]É preciso despertar o lado empreendedor desses jovens, tirar as ideias do papel e validá- las com clientes reais para que elas possam se tornar startups[/blockquote]

A mudança de comportamento no consumo é evidente. O setor hoteleiro sofreu impactos com a chegada do Airbnb; os taxistas, do Uber; o segmento de música, do Spotify; o de mídias de conteúdo, do Netflix; as editoras, do e-book. “A Amazon se tornou o maior comércio eletrônico do mundo, superando o Wallmart”, informa André Fróes, acrescentando que ao surgimento do Banco Original, sem qualquer agência física, provocou mais automatização nos grandes estabelecimentos bancários brasileiros.

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Para esse mundo que não para nem anda pra trás, existe a Cotidiano. “Temos a ambição de transformar o dia a dia das pessoas por meio da tecnologia”, resume Fróes. E estão conseguindo. Que o digam qualquer um dos 15 clientes, novas startups criadas para, por exemplo, otimizar o controle de uma fazenda de gado leiteiro (a Leigado), avisar ao motorista sobre as necessidades do carro (a Otimicar) e escolher pela internet o melhor plano de saúde para o seu bolso e as suas condições (Rhases).

Da cidade de Dois Vizinhos, no Paraná, Karina Thomazi, de 37 anos, participou do programa de aceleração em Brasília. “Aprendi muita coisa, foi muito produtivo, a mentoria e o suporte foram ótimos. Com outros dois sócios, criou em janeiro a Leigado – leite de gado – ,que oferece um software para a pecuária leiteira. É um sistema que reúne dados e relatórios sobre produção, reprodução, ração, medicamentos e custos de uma fazenda. “O funcionário alimenta o sistema e o proprietário acompanha tudo de onde estiver”, explica Karina. A cobertura do sofware da startup paranaense atingiu 118 propriedades em quatro meses de comercialização. “São jovens veterinários na faixa de 25 anos e produtores na faixa de 50 anos”, conta. O aplicativo também vai funcionar offline para coleta de dados no meio de uma fazenda ou em local sem sinal de internet.

Orientados pela empresa brasiliense, as jovens startups conhecem os passos para formar uma equipe de trabalho, que inclui o hacker, o hipster e o hustler. O primeiro é o programador, o aficcionado por tecnologia, que vai transformar o objetivo do novo empreendedor em aplicativo. “O hipster é aquele que tem o aspecto cool, é o profissional da arte gráfica digital, que vai dar a marca do design, e o hustler é o agitador, o vendedor”, descreve Fróes. E ainda pode-se contar com o adviser, o consultor que conhece profundamente aquele segmento.

E como uma jovem empresa digital vai sobreviver? Os mentores sabem e traçaram um plano bem-amarrado de captação de investimentos, por meio de um aporte inicial de R$ 100 mil. “É o capital-semente, que vai ser convertido em ações da nova startup. Nós nos tornamos sócios, com 5% a 10% de cota de participação”, explica Fróes. Ao mesmo tempo, o hustler da Cotidiano busca novos investidores Série A, que também recebem cotas. Com isso, a nova startup vai se desenvolvendo. E não para aí. Existe o exit, os eventos de saída: ela pode ser adquirida por outra empresa ou se lança no mercado público de ações (IPO).

“Levamos a inteligência das informações online para o mundo offline”, define  o engenheiro da computação Thiago Guerreiro, de 37 anos, chief operation officer (COO) da Cotidiano: “Uma loja na W 3, por exemplo, pode obter dados, como perfil de consumo, de público, de vendas”, diz. E para as pessoas que estão no estágio embrionário, com uma boa ideia rondando a cabeça, existe o programa de pré-aceleração. “São duas semanas de imersão e participação em eventos”, avisa Thiago.

[sc name=”titulo-secao-app” titulo=”Um Wesley e três Andrés” cor=”#007A74″ ]

André Casimiro é formado em engenharia de redes pela Universidade de Brasília e pós-graduado em Governança e Planejamento Estratégico de TIC. É diretor de vendas da Huawei,  gigante chinesa de telecomunicações, para a região centro-norte do Brasil. Flamenguista, adora cozinhar. É pai do Gabriel e de mais dois meninões que virão em breve.

André Faria, formado em engenharia de redes pela UnB, passou pela Brasil Telecom, Huawei e SAP até assumir a diretoria de negócios para setor público no Cast Group. Pai da Júlia, fã dos Rolling Stones, adora rodar de moto por Brasília nos fins de semana e jogar squash. Desde jovem tem como lema de vida que nada cai do céu.

André Fróes é engenheiro de redes de comunicação pela UnB, foi funcionário público e  trocou a estabilidade para ser consultor em uma grande multinacional. Fascinado pela dinâmica da área de vendas e canais, transformou-se em líder de vendas em empresas norte-americanas, chinesa e brasileiras. Cozinheiro amador, aprendiz de violão e apaixonado por Brasília e pelo Botafogo, tem, como motivação as estratégias de negócios.

Wesley Almeida sempre se interessou na transformação digital na vida das pessoas. Empreendedor desde cedo no mercado tradicional de TI, a partir de 2009 tem investido e vivenciado o mundo de startups, inspirado em regras para a nova economia. Gosta de tocar contrabaixo e curte muita música brasileira e rock’n’roll. Adora passar o verão com a família em Taipus de Fora, na Bahia.