25ª edição

Por Amanda Venício

 
Crescimento do e-commerce não tira protagonismo das vitrines, que devem estar integradas à identidade da marca em outras plataformas, como site e redes sociais

 

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Com o crescimento do e-commerce e do modelo omnichannel, o varejista pode se sentir tentado a deixar as vitrines de lado, mas cuidado: elas ainda são uma das principais formas de conquistar clientes, como também um dos elementos principais da multicanalidade.

O crescimento do e-commerce não tira o protagonismo das vitrines para as marcas. Segundo Rafaela Lourenço, fundadora da consultoria de visual merchandising Vitrine VM, e-commerce e loja física são canais de venda de uma marca e não concorrentes entre si. Eles devem trabalhar em conjunto, seguindo a tendência do formato omnichannel, que integra diferentes canais de contato do cliente com a marca em uma experiência contínua, sem divergências de informações. “Comprar um produto pela internet e retirá-lo na loja física já é realidade para algumas marcas. Esse movimento só reforça cada vez mais a preocupação que as marcas devem ter com suas lojas físicas, incluindo suas vitrines. Não basta integrar o sistema, deve-se ter uma comunicação visual unificada em todos os pontos de contato com o cliente”, afirma.

 

A especialista ainda entrega uma das principais tendências para o varejo: “Espaços comerciais devem não só vender produtos, mas experiências que imprimam o DNA da marca. A loja passa a ser uma grande vitrine do life style da marca, tornando impossível pensar na vitrine propriamente dita como um ambiente separado da loja”. Nesse contexto de multicanalidade, as vitrines interativas têm se destacado: são aquelas que usam a tecnologia para interagir com os clientes, mesmo do lado de fora da loja. Uso do QR code para acessar ambientes de realidade aumentada e provadores virtuais são alguns exemplos.

 

As vitrines interativas, porém, não cabem no orçamento de todos os varejistas. Nesse caso, Rafaela destaca três grandes tendências para as vitrines de alto verão. Uma delas é o jungle style, uso exagerado de plantas, grafismos com folhagens e elementos naturais de palha. Os neons utilizados nas fachadas da década de 1980, painéis iluminados e lâmpadas tubulares marcam o neon style, enquanto o translucent style utiliza elementos translúcidos ou semitranslúcidos, como acrílico.

Segundo a especialista em visual merchandising, a escolha de como a vitrine será montada não deve ser feita ao acaso e exige planejamento, em parceria com as equipes de vendas e marketing da empresa. “Diante de dados coletados nos meses e anos anteriores, deve-se organizar um calendário de vendas baseado nas principais datas que impactam a marca, direcionando, assim, as ações de visual merchandising que serão implementadas na vitrine e no interior da loja”, aconselha.

 

VISUAL MERCHANDISING

As vitrines são um dos elementos do visual merchandising, área do marketing responsável pela experiência do consumidor com o espaço físico da loja, incluindo fachada, vitrines, expositores, provadores, balcões e caixa de atendimento. Um varejista hábil no visual merchandising sabe como se comunicar e expor seus produtos para alterar a percepção dos clientes sobre a marca e criar uma boa experiência de compra.

 

 

Três principais erros na hora de montar vitrines
Rafaela Lourenço, da consultoria de visual merchandising Vitrine VM, mostra os principais deslizes na hora de montar vitrines e como evitá-los

 

  1. Escolher produtos aleatoriamente

O erro: “As vitrines devem ser pensadas como um conjunto de elementos que formam uma única imagem. Quando o lojista escolhe os produtos aleatoriamente, sem pensar na composição de cores entre eles ou na harmonia dos estilos das peças expostas, acaba passando uma imagem de uma loja sem identidade.”

 

A solução: “Para evitar esse erro, basta prestar atenção nas peças de exposição da vitrine e ver se elas se comunicam, formando um conjunto harmonioso.”

 

2) Vitrine poluída visualmente

O erro: “As vitrines que possuem muitos produtos expostos, sem espaços de respiro, podem passar uma sensação de desorganização ao consumidor.”

A solução: “Fazer trocas de produtos com mais frequência evita essa exposição excessiva e faz com que sua vitrine tenha sempre produtos novos ao olhar do consumidor.”

 

3) Iluminação errada

O erro: “Falta de iluminação faz com que o cliente não enxergue direito o produto exposto. A regra aqui é: quanto mais, melhor. É melhor ter uma vitrine muito iluminada, na qual conseguimos ver os produtos, do que uma sem iluminação, prejudicando a percepção do produto.”

A solução: “Invista, inicialmente, em dois tipos de iluminação: a direta, utilizando spots com focos direcionáveis aos produtos, e a indireta, com uma iluminação mais difusa e aberta, iluminando todo o ambiente da vitrine.”

 

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