22 de abril de 2019
Inadimplentes e reincidentes
Marcela Kawauti por Marcela Kawauti

A negativação dificilmente é um problema pontual. O mais comum é que seja a sinalização de desequilíbrios mais graves nas finanças das famílias, que podem se arrastar por meses.

Dados do SPC Brasil mostram que, de todas as negativações feitas em fevereiro de 2019, 80% eram de consumidores que já haviam passado pelo cadastro de devedores. Uns saem e logo voltam; outros nem chegam a sair e são negativados novamente, em razão de outras dívidas. Ambos são chamados reincidentes.

Estima-se um total de 62 milhões de consumidores com o CPF restrito no país, nada menos que 40% da população adulta. Estar com o “nome sujo” é sempre muito inconveniente, pois a restrição limita o acesso ao crédito. Mas continuar comprando a crédito, mesmo quando não se consegue pagar dívidas já assumidas, é algo temerário e insustentável. Temerário porque pode levar o consumidor ao endividamento excessivo; insustentável por conta do prejuízo que isso pode gerar a quem vende a prazo, criando, inclusive, dificuldades para continuar no negócio.

É inevitável a pergunta de como reverter esse quadro da inadimplência no Brasil, mas a resposta não é nada fácil. Passa, sem dúvida, pela conjuntura – sondagens com os consumidores mostram que, de cada dez, pelo menos quatro convivem com alguém desempregado em casa, um quadro que certamente não favorece o pagamento das contas em dia.

Seria um erro, porém, falar somente dos aspectos conjunturais. Quando o assunto é a saúde da vida financeira, os hábitos dos consumidores contam muito. Gastos não planejados, feitos no calor do impulso, falta de controle financeiro e uso inadvertido do crédito são exemplos de comportamentos que, quando reiterados, podem trazer sérios desequilíbrios.

Esses comportamentos não são corrigidos pela melhora da conjuntura. A renda pode até aumentar, mas, quando não há uma mudança na mentalidade, nada impede que o consumo aumente mais do que proporcionalmente, persistindo o desequilíbrio.

O primeiro passo para sair do sufoco financeiro é fazer um diagnóstico preciso da própria situação. O consumidor deve colocar, na ponta do lápis, sua renda, seus gastos e as dívidas já acumuladas, por mais que isso o assuste. Em seguida, deve buscar credores para negociar juros, multas, prazos e estabelecer prioridades sobre os gastos. Para auxiliar no diagnóstico, o consumidor agora tem à mão o aplicativo SPC Consumidor, que permite a consulta de CPF e disponibiliza um teste de bem-estar financeiro. Utilize e compartilhe essa ideia. Um sistema de crédito saudável é bom para quem compra, é bom para quem vende.

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