10 de dezembro de 2019
iGeneration e a sua influência no varejo
por Beatriz Pires

Camila Salek, sócia fundadora da Vimer Experience Merchandising, nos ajuda a entender um pouco mais sobre essa geração

Você já ouviu falar da iGeneration? É uma geração que nasceu em um universo totalmente digital e que cresce a todo instante. Carinhosamente apelidada de iGen,tem como principal característica a integração da tecnologia em seu cotidiano, o que tem transformado as formas de consumo e relacionamento com as marcas.

Para ajudar a entender um pouco mais sobre a relação da iGen com o varejo, entrevistamos Camila Salek, sócia fundadora da Vimer Experience Merchandising e integrante do grupo de empreendedoras de sucesso do programa Winning Women Brasil, da Ernst Young. Referência em varejo e visual merchandising, está por trás de evoluções significativas da experiência de consumo e do desenvolvimento do conhecimento da área, por meio da implementação de projetos inovadores e compartilhamento de conteúdos ministrados em aulas, palestras, treinamentos e publicações nacionais e internacionais voltadas para moda e tendência.

Varejo s.a. –O que a Vimer entente como iGeneration?

Camila Salek – Toda a discussão que envolve esse tema é muito mais voltada a entender se é uma geração que lida com o smartphone diariamente do que necessariamente uma geração nascida em um período específico. Com frequência, escutamos falar de geração X, Z, Y, boomers e, ao pensar em iGen, estamos falando que, independentemente da idade, as pessoas estão extremamente conectadas. Vivemos em um mundo onde os dispositivos portáteis, os smartphones principalmente, cresceram de forma exponencial, criando uma geração de pessoas conectadas a eles. É isso que chamamos iGeneration.

Hoje, para ter uma ideia, cerca de 67% da população mundial tem um dispositivo portátil, um celular. Imagina o peso disso ao considerar a quantidade de vezes que acessamos esses dispositivos por dia. Não estamos falando de idade e, sim, de perfil de consumidor.

Varejo s.a. – O que essa proximidade com o smartphone trouxe de mudança para o mercado?

Camila Salek – Acredito que uma das primeiras mudanças que o mundo on-line trouxe foi a relação entre tempo e conveniência. Quem consome hoje por um dispositivo portátil não precisa sair do sofá de casa para conseguir seu produto e o adquire de maneira mais rápida.

No ambiente físico, não lidamos com essa sensação de tempo e conveniência da mesma forma. Precisamos aprender com o progresso da inteligência, que está cada vez mais difundida em relação à jornada de consumo do mundo digital, para conseguir aplicá-la no ambiente físico.

Sabe aquela loja que dá até preguiça de entrar por conta da quantidade de produtos expostos? É um formato que por pouco tempo vai continuar, na nossa opinião. É preciso focar em lojas mais editadas, mais curadas, que celebram melhor o tempo das pessoas e a conveniência.

Varejo s.a. – Qual é o grande desafio do varejo para atender a essa geração?

Camila Salek – Além dessa questão de tempo e conveniência, é necessário entregar algo que vá além. Para fazer com que o consumidor vá até o ambiente físico, eu preciso oferecer mais em relação à experiência. É possível perceber que alguns modelos de operação pelo mundo começaram a se transformar em redes sociais de contato entre marca e consumidor e deixaram de ser simplesmente um espaço de compra e venda de produto.

Varejo s.a. – Para a iGeneration, o que a marca representa é mais importante do que ela em si?

Camila Salek – Totalmente! Os poucos consumidores que ainda ostentam marcas o fazem por conta do que ela representa. Tem muita coisa por trás de uma marca hoje em dia: propósito, transparência em processo, melhor curadoria de produto, conveniência, bandeiras de movimentos sociais, sustentabilidade, preocupação com o corpo.

É importante entender que o caminho que uma empresa escolhe usar para conversar com o consumidor final deve levar em conta o caminho que ela quer seguir como marca. Não adianta ela aproveitar uma onda sustentável e isso não refletir na loja.  

Cada vez mais, esse espírito da marca se transforma em um fator determinante para o sucesso dela no futuro. As pessoas se interessam por assuntos que vão além do produto em si.

Varejo s.a. – Como aplicar todas essas particularidades da iGen no espaço físico da loja?

Camila Salek – O primeiro passo é romper com o modelo tradicional de varejo de exposição de produto em balcão e um vendedor lidando com as pessoas. Acompanhamos modelos de negócios mais disruptivos. Eles trazem, por exemplo, um especialista no papel de vendedor, uma pessoa treinada para ter uma conversa que levará o bate-papo para outro patamar, o de cocriação, em que seu cliente passa a fazer parte do seu processo e contar com a marca de forma um pouco diferente. Essa conexão está muito ligada ao fator empreendedorismo, que é uma coisa muito presente nessa geração. 

Além disso, a marca que hoje ainda não oferece um sistema de click and collect, por exemplo, tende a perder espaço. As pessoas querem um produto e o querem agora! Elas vão se deslocar até o ponto físico se souberem que você pode oferecer.

Case de sucesso

A Gocase é uma marca nativa digital que migrou para o mundo físico. A Vimer fez um trabalho de edição para que a loja passasse todo o dinamismo e a velocidade da internet para o espaço físico. É uma loja em que se vende um produto personalizado, com o cliente podendo personalizar uma capinha, uma mochila, cabo de celular etc. A personalização funciona na própria loja, o que é uma maneira compacta de levar a experiência virtual para o consumidor. O espaço também é instagramável, o que faz com que os clientes conversem com o ambiente.

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