9 de abril de 2019
Horta no telhado da empresa?
Giovanna Carvalho por Giovanna Carvalho

Sim! Conheça a start-up de impacto social ganhadora de prêmios

De um trabalho em plena seca do sertão nordestino, surgiu a ideia da start-up Plant Fazendas Urbanas para prédios corporativos da capital paulista. O projeto, que cultiva hortas no topo dos escritórios e empresas, nos arranha-céus de São Paulo, tem DNA social, porque ajuda na geração de renda e alimentação saudável dos bairros carentes. Transforma espaços ociosos. Conecta pessoas em ambientes corporativos à atividade agrícola, ao verde e a uma vida mais saudável. Ainda, proporciona às empresas uma forma de contribuir para melhorar o ecossistema.

Lê Andrade – como a idealizadora do projeto gosta de ser chamada – conta que o projeto nasceu em 2016, depois de um trabalho comunitário com hortaliças, no interior da Bahia e Piauí, em plena região da seca. Foi lá que ela aprendeu o valor das hortas como ferramenta em processo de autonomia alimentar. Dessa sua atuação, nasceu a ideia de reproduzi-las nos telhados de grandes empresas, em São Paulo, sua cidade natal, com o objetivo de gerar renda para famílias carentes. De repente, viu seu projeto ser apoiado e chancelado pela Organização das Nações Unidas (ONU). E a semente do empreendedorismo foi plantada.

“Recebi um convite para participar do The Big Hackatton, uma maratona para desenvolver negócios em poucos dias, promovido pela Campus Party Brasil e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O desafio era criar uma empresa que melhor atendesse aos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU até 2030. Levei minha ideia e deu certo”, conta a empresária.

Com menos de dois anos de empresa e, atualmente, com os sócios Jeison Cechella e Jean Roversi, os empreendedores já se dividem para reuniões de apresentações da start-up em outros estados. Segundo Lê, não há outra empresa ou start-up que trabalhe usando os pilares de atuação social da Plant Fazendas Urbanas.

“Hoje, temos projetos de construção em outros estados, porque conseguimos atender a qualquer cidade que possua cooperativas de material reciclado, agricultura familiar e pessoas em situação de vulnerabilidade social”, explica.

A produção das hortaliças nos telhados das corporações vai para os restaurantes das próprias empresas ou é vendida em feiras por moradores de associações de bairros carentes, permitindo, assim, a geração de renda para essas pessoas. Além disso, parte do lucro da venda é revertida para novas hortas em regiões carentes.

“A Plant Fazendas Urbanas acredita muito que as grandes corporações têm o poder de transformar a sociedade. Qualquer espaço subutilizado pode virar uma horta ou um centro de compostagem”, relata Lê.

Como são feitas as hortas

Todo o material usado pela empresa vem de material reciclado, adquirido de moradores de áreas carentes. A hortaliça é plantada com material orgânico produzido pela start-up. Em vez de ir para um aterro sanitário, o material recolhido dos restaurantes, como restos de alimentação, segue para um centro de compostagem de material orgânico e retorna para a horta como matéria-prima abundante em vitaminas.

Todo o trabalho é feito com a ajuda dos sócios e de mais três mulheres das comunidades carentes que trabalham como mantenedoras das hortas.

Reconhecimento

O resultado de tudo isso só podia dar em reconhecimento! A Plant Fazendas Urbanas ganhou o primeiro lugar como Negócio de Impacto Social, em uma premiação promovida pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e PNUD, e o segundo lugar como Negócio de Impacto Ambiental, concedido pelo Sebrae.

Conheça mais detalhes no site www.plant.eco.br/.

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