4 de janeiro de 2019
Expectativas e realidade
Marcela Kawauti por Marcela Kawauti

Entre 2012 e 2013, os indicadores de confiança acentuaram a tendência de queda, até atingir o fundo do poço entre o último trimestre de 2015 e o primeiro trimestre de 2016. A tendência agora se inverteu: em novembro de 2018, os indicadores de confiança exibiram alta expressiva na comparação com o mês imediatamente anterior.

Números da percepção da indústria, do comércio e da população em geral foram todos na mesma direção. Entre os micro e pequenos empresários, o indicador de confiança passou de 53,9 pontos, em outubro, para 61,8 pontos, em novembro, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Os indicadores de confiança têm dois componentes: um que avalia o momento atual e outro que mede as perspectivas futuras. Um olhar mais detido sobre esses dados mostra que o componente da avaliação do momento atual foi o que menos cresceu, embora também tenha crescido. As expectativas é que fizeram a confiança avançar.

A melhora das expectativas guarda relação direta com a definição eleitoral. Meses antes do pleito, não era possível dizer com certeza quais seriam os postulantes à Presidência. As incertezas alcançavam o nível máximo. Com as urnas abertas, o país começa a conhecer e a discutir propostas para os próximos anos, o que clareia o horizonte dos agentes econômicos. Ainda restam dúvidas sobre se as medidas contarão com o apoio necessário para saírem do papel, mas já se sabe que a nova equipe tentará uma reforma da previdência para cumprir o ajuste fiscal, uma reforma tributária e a promoção de maior abertura comercial.

Antes da crise, a queda da confiança precedeu a queda da atividade econômica. Foi um primeiro sinal de que as coisas não andavam tão bem. A confiança é mais do que um indicador antecedente; é algo que interfere muito diretamente nas variáveis reais. Se você é um consumidor com perspectivas econômicas ruins, pensará duas vezes antes de assumir um carnê cheio de parcelas. Se é um empresário, diante das mesmas perspectivas, provavelmente preferirá postergar os planos de investimento.

Qual é sua expectativa para 2019? Conseguiremos, finalmente, romper o ciclo de baixo crescimento que assola o país desde o início da década? A realidade confirmou as más expectativas em 2013; que possa, agora, confirmar seus bons ventos.

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