21ª edição

Mais de um terço das empresas já foi alvo de fakes, mas a maioria das companhias não tem estratégias para combatê-las
Por Amanda Venício

 

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As fake news, ou notícias falsas, sempre preocupam quando o assunto é política, pela capacidade de formar opiniões e influenciar eleitores. O conceito ainda é novo e não é bem definido. No geral, refere-se a diferentes tipos de desinformação, como a falsa representação da realidade ou a distorção dos fatos. Opiniões individuais, sátiras e erros jornalísticos puros não são considerados fake news.

 

Mas você já parou para pensar no impacto que notícias falsas podem ter em uma marca? Um estudo realizado pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), denominado “Fake news: desafios das organizações”, mostrou que mais de um terço das empresas entrevistadas já foi alvo de publicação de fake news. Quase metade delas (46%) também declarou que o setor de atuação da organização foi tema de notícias falsas. Entre os setores impactados, 57% sofreram prejuízos econômicos.

 

“As fake news são uma grave ameaça para a reputação, para a imagem das organizações e de seus executivos. Esse é um problema crescente em todo o mundo, portanto é preciso saber como lidar com elas”, diz Hamilton dos Santos, diretor geral da Aberje.

 

Apesar do impacto das fake news nos negócios, o estudo mostra que as empresas ainda não estão preparadas para lidar com esse fenômeno. A maioria delas (67%) não tem as fake news incluídas entre seus temas estratégicos, embora 85% dos entrevistados tenham declarado estar preocupados com o assunto. As organizações, em geral, não possuem uma estrutura formal para acompanhamento e gestão da publicação de fake news (76%) e mais da metade (56%) não utiliza ferramentas de monitoramento e análise de notícias falsas. Segundo Santos, as principais armas para combater as fake news são a fact checking (checagem de fatos) e a transparência. “As empresas não podem ter medo de ser transparentes. A transparência já é um primeiro antídoto contra as fake news”, explica.

 

Os participantes da pesquisa acreditam que as plataformas de redes sociais são as principais responsáveis por tomar medidas de combate às fake news (64%), mas, segundo a maioria (89%), não têm feito o suficiente para auxiliar os usuários na verificação da veracidade de um conteúdo.

 

Embora a propagação de certas notícias falsas possa constituir uma conduta ilegal do ponto de vista das leis em vigor, como discurso de ódio, incitação à violência, terrorismo e difamação, em muitos outros casos, as fake news podem ter efeitos prejudiciais para a sociedade, sem serem necessariamente ilegais.

 

Para Santos, é preciso um esforço coletivo para erradicar as notícias falsas: “A Aberje defende que organizações, sociedade e imprensa façam uma verdadeira cruzada contra as fake news, porque elas, em última instância, ameaçam a própria democracia”.
Principais danos

Os participantes acreditam que os principais impactos das fake news são:
Danos à reputação da marca: 91%
Danos à imagem da organização: 77%
Perdas econômico-financeiras: 40%
Danos à credibilidade da organização: 40%

Danos à imagem do setor: 28%

Danos à reputação da liderança: 13%

 

Ferramentas de análise

As 37% empresas que adotam estratégias para monitorar fake news utilizam as seguintes ferramentas:

Monitoramento de espaços corporativos em redes sociais: 54%

Análise de espaços corporativos em redes sociais (vários idiomas): 28%
Manutenção do repertório de mídia social e conversas on-line: 24%
Integração da solução de monitoramento de fake news com outras de comunicação: 20%
Mensuração do impacto das fake news: 13%
Utilização de sistema de fact checking: 11%
Ações de combate
Para os entrevistados, estas são as ações que mais contribuem para reduzir a propagação de fake news:
Fechamento de contas falsas e remoção de contas automáticas das redes sociais: 86%

Privilegiar as informações de fontes confiáveis nos resultados de pesquisa: 77%
Mecanismos para bloquear conteúdo patrocinado de contas que regularmente publicam fake news: 76%

Maior investimento em jornalismo investigativo baseado em dados para oferecer narrativas confiáveis e atraentes: 62%

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