17ª edição

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, fala sobre o momento favorável em que o estado encontra-se para o desenvolvimento de negócios.

Por Georgina Luna

fev_entrevista_Paraiba

Economia estabilizada e muitos investimentos em obras que dão acessibilidade logística para a região e qualificação técnica para os recursos humanos. Esses são alguns dos destaques da entrevista concedida com exclusividade para a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de João Pessoa.

 

Como o senhor considera o estado da Paraíba hoje para o desenvolvimento das micro e pequenas empresas?

Foi uma série de ações conjuntas que deu à Paraíba uma condição diferenciada do resto do Brasil, mas essas ações não são apenas da esfera governamental, tendo contado muito com os esforços do empresariado. Hoje, posso afirmar que estamos celebrando uma grande conquista: criamos um ambiente adequado para o desenvolvimento e geração de negócios e isso se reflete nos indicadores: o estado gera, há seis meses, superávit na criação de empregos e o comércio tem uma grande parcela nesse resultado. A Paraíba é, hoje, o terceiro estado com a maior longevidade dos pequenos negócios – 82% superam a margem de dois anos de existência.

 

A geração de renda e emprego sempre foi um dos gargalos da esfera governamental. Quais, em sua opinião, seriam as estratégias para a diminuição do índice de desemprego?

Não é só o emprego em si, mas o dinheiro que circula na economia que ativa os demais ramos da própria economia, ou seja, se eu consigo dar por meio do emprego condição de consumo para um trabalhador ou vários, eles irão comprar mais, se alimentar melhor, se vestir melhor, é uma cadeia produtiva. O governo da Paraíba tem, hoje, uma preocupação com a estabilidade econômica interna, bem como com sua manutenção e equilíbrio. Recentemente, tomei uma medida em relação ao açúcar que vinha de fora, quebrando, assim, a economia local; não sou xenofóbico, mas o dinheiro precisa ser gerado primeiramente dentro da nossa região. Outra ação para geração de renda e empregos diz respeito às próprias obras do governo, como as da Suplan [Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado], que, em 2017, geraram 3.850 empregos diretos.

 

Em 2017, a Paraíba saiu do último lugar para o décimo no ranking de competitividade entre os estados brasileiros para se investir. Como o senhor enxerga o estado hoje para o ambiente de negócios?

Esse ranking é elaborado por uma empresa privada, com o objetivo de mostrar para os empresários onde é bom ou não inserir seu negócio, ou seja, onde ele terá um melhor retorno de investimento, sendo levados em consideração alguns pilares: educação, solidez fiscal, sustentabilidade ambiental e social, inovação e potencial de mercado, segurança, entre outros. Nós mostramos que, além desses índices positivos, temos um estado favorável e em crescimento; ainda, estamos estrategicamente centralizados entre grandes capitais comerciais nordestinas e possuímos bons recursos humanos. A Paraíba está, hoje, preparada para crescer muito economicamente; somos o primeiro no ranking de competitividade para investimento em se tratando da região Nordeste.

 

Nos setores de comércio e serviços, que ações foram feitas para que pudessem expandir?

A melhor resposta seria infraestrutura e recursos humanos. No primeiro caso, me refiro especialmente à capacidade de ir e vir. Antes, tínhamos 25% de estradas praticamente inacessíveis; quem produzia no interior não tinha como ampliar sua capacidade de vendas. Hoje, temos 2.420 quilômetros de boas estradas construídas no meu governo. Vou citar um exemplo positivo dessa obra: um comerciante de Souza que vende ovos em um caminhão, o que impedia seu crescimento – nas vendas para cidades mais distantes, os ovos se quebravam com o atrito ao passar por estradas de barro, com a pavimentação viu suas vendas duplicarem. No segundo caso, os recursos humanos, o estado tem como obrigação qualificar sua mão de obra, por isso fiz investimentos em escolas técnicas estaduais. Foram mais de seis construídas pelo interior do estado; em Souza, por exemplo, montamos o curso de Técnicas Comerciais e outro de Energias Renováveis, pois identificamos que existia essas necessidades locais. Outros investimentos foram feitos também, como no turismo – a construção do centro de convenções que colocou João Pessoa na rota do segmento de turismo de negócios e eventos. Tenho uma preocupação em descentralizar a geração da renda, que acontece, em sua maioria, nas grandes cidades; quando cada região consegue se desenvolver sozinha, isso é muito para o estado como um todo.

 

O Brasil passa, hoje, por diversas crises: política, moral, econômica e de segurança. Como o senhor considera a situação da Paraíba nesse cenário?

Eu acredito que a Paraíba está vencendo esse cenário negativo que foi imposto pela crise. Foram e serão vários os desafios, mas estamos nos saindo muito bem. Nós não temos dinheiro sobrando, mas também não está faltando; nossa folha de pagamento está em dia; hoje, somos o único estado brasileiro a ter reduzido o número de homicídios nos últimos seis anos; também reduzimos de 2016 para 2017 o roubo aos estabelecimentos comerciais; não paramos os investimentos – nos últimos tempos, foram construídos 1.400 quilômetros de adutoras e dez novos hospitais –; acabamos de destravar a interdição de um investimento que gerará 500 empregos diretos para João Pessoa. Nós só saímos de uma crise por meio dos investimentos públicos e privados e lhe afirmo que o estado está consolidado.

 

Que mensagem o senhor quer deixar para o empresário paraibano?

Confiança. O momento de investir é agora, pois muitos duvidam, mas aí é que entra o caráter empreendedor. A Paraíba se encontra, hoje, num momento de solidez para os negócios, todos os indicadores estão positivos.

 

Destaque: “Eu posso dizer com uma tranquilidade enorme que a Paraíba, além de ser um grande estado para se morar, será, num futuro muito próximo, um dos principais estados do Brasil para se investir.”

fev_entrevista_Paraiba_credito_José Marques2

shares