8 de maio de 2019
Em ritmo lento
Marcela Kawauti por Marcela Kawauti

A confiança de empresários e consumidores vinha crescendo num ritmo acelerado até o início do ano. Agora, o entusiasmo parece mais contido. Em março de 2019, o Indicador de Confiança do Comércio, apurado pela Fundação Getulio Vargas, caiu 3,2 pontos na comparação com fevereiro.

Isso não deveria surpreender. O avanço da confiança foi uma resposta à definição de uma conturbada disputa eleitoral. Ocorre que, por mais que um novo governo trabalhe, os resultados demoram a aparecer e, até que apareçam, a boa vontade do público vai diminuindo.

Empresário confiante é empresário que investe. Consumidor confiante é consumidor que consome. Com isso, se cria um ambiente favorável ao crescimento. Se é assim, como manter esses agentes econômicos otimistas com o futuro?

É preciso, em primeiro lugar, ter clareza de que não haverá passe de mágica que faça a economia brasileira deslanchar da noite para o dia. Por mais algum tempo, a atividade econômica andará em ritmo lento.

Os primeiros dados de 2019 mostram, a propósito, que a pasmaceira continua. O IBC-Br, indicador do Banco Central que busca antecipar os dados oficiais do PIB, recuou 0,41% em janeiro, na comparação, já livre dos efeitos sazonais, com dezembro. Segundo o IBGE, as vendas do varejo ficaram estagnadas em fevereiro, na comparação com o mês imediatamente anterior.

O novo governo atravessou o umbral simbólico dos cem primeiros dias. Se não há meio de transformar o cenário econômico no curto prazo, sem recorrer a artificialismos, a saída é administrar as expectativas, mostrando que o país tem um rumo, uma trajetória bem definida.

A apresentação de um projeto de reforma da previdência ambicioso, prevendo economia de R$ 1 trilhão, foi o primeiro passo. Mais recentemente, a sinalização de uma reforma tributária foi outro passo. Na infraestrutura, algumas concessões à iniciativa privada enfim saíram do papel, o que poderá engajar algum investimento e, quem sabe, pavimentar um caminho de crescimento.

Mas a sustentação da confiança requer que o bom debate econômico esteja acima de discussões estéreis, que pouco dizem respeito ao futuro do país, sob pena de cairmos mais uma vez no vale do pessimismo e, pior, da recessão.

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