12 de dezembro de 2017
Do computador para a mesa
Varejo SA por Varejo SA

Venda de alimentos é a próxima aposta do e-commerce

Por Amanda Venício

 

Dez_Tendencias_Ecommercealimentos (1)

A compra da rede de alimentos saudáveis Whole Foods pela Amazon, em agosto de 2017, marca uma das tendências atuais do varejo: o e-commerce de alimentos. Segundo o gerente da Unidade de Atendimento Coletivo e Comércio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Distrito Federal, Ary Ferreira Júnior, minimercados, supermercados, restaurantes e distribuidores de bebidas são empreendimentos que estão buscando se estabelecer no varejo on-line.

Mas investir nessa área requer alguns cuidados especiais. Ferreira Júnior explica que é crucial delimitar a área e o prazo de entrega para que o produto chegue em bom estado. “É importante que o varejista tenha controle da logística, porque são produtos perecíveis. O segredo é cumprir o prazo definido”, explica.

É o que fez o Les Gourmand Club, comandado pela diretora executiva Fernanda Xavier e pelo chef executivo Marco Paulo Peluso. A empresa oferece um serviço de assinatura mensal de caixas temáticas com ingredientes para preparar uma refeição. Os produtos refrigerados são entregues somente na Região Metropolitana de São Paulo, em embalagens térmicas e com gelo seco. Já os produtos que não exigem refrigeração são enviados para todo o Brasil.

Manter os produtos frescos também é o desafio enfrentado por Mirella Malta, proprietária da Carota, um e-commerce de hortifrúti orgânico e refeições em Brasília. As frutas e verduras são entregues no mesmo dia em que chegam ao depósito da Carota, além de serem utilizadas no preparo das receitas.

“Pensamos as refeições para que tudo que é trazido ao hortifrúti seja utilizado na cozinha, para evitar desperdício. Nosso cuidado, hoje, é manter o mínimo de estoque possível. Estoque parado é dinheiro parado”, revela.

O e-commerce revelou-se uma ótima forma de alcançar o público da empresa. A Carota atende a jovens de 20 a 35 anos, das classes A e B. Entre os clientes, muitos seguem dietas restritivas por questões de saúde, como celíacos e intolerantes à lactose, ou por posicionamento político, como os veganos, que não consomem produtos de origem animal.

Praticidade foi o que levou Matyê Alves, de 35 anos, a assinar o serviço Best For You, que todo mês entrega uma caixa com alimentos saudáveis. Além da comodidade de receber uma gama variada de produtos sem sair de casa, o preço foi um fator atrativo. “Eles colocam a listagem dos itens de cada caixa e o valor real unitário de cada um. Geralmente, o kit sairia pelo dobro ou até mais”, explica.

Há dez anos, os pais de Matyê começaram um acompanhamento nutricional e retiraram vários alimentos da dieta. Desde então, a família, que mora em Brasília, se esforça para ter refeições mais saudáveis. “A caixa foi um experimento e surgiu num momento legal. Ela serve mais para degustação, para você conhecer a marca e o produto. Há itens que conheci pela caixa e já busco em lojas físicas”, conta.

Por que escolher o e-commerce?

Segundo Peluso, a escolha pelo e-commerce, em vez de uma loja física, foi vantajosa para o Les Gourmand Club. “A vantagem do e-commerce é a abrangência que o produto atinge. Com uma loja física, ficamos restritos a uma região, no máximo uma cidade”. Outro fator positivo está em tornar o processo de compra mais cômodo para o cliente: “Percebemos que os consumidores hoje estão muito mais à vontade de entrar na loja on-line, pois não se sentem pressionados a comprar”, afirma.

Já para Mirella, da Carota, optar pelo e-commerce ajudou a economizar custos e alcançar o público desejado. “Quando pensei no produto inicial, que eram as cestas de hortifrúti orgânico, eu tive a ideia de que a pessoa não queria sair de casa, senão ela iria à feirinha. As cestas tinham que ser entregues em casa. É uma economia de tempo, porque tem alguém que já faz a triagem”, argumenta.

Para os varejistas que possuem lojas físicas e desejam expandir para o e-commerce, Ferreira Júnior recomenda que a empresa tenha pelo menos quatro anos e um conhecimento profundo de mercado.

 

Fale com o especialista

Quatro perguntas para Raphael Lassance, consultor e especialista em e-commerce

Quais são as vantagens de adotar um e-commerce de alimentos, em vez de uma loja física?

Apesar dos custos associados a operações com esse perfil, como as peculiaridades no armazenamento e logística, uma operação 100% on-line garante, em geral, custos operacionais mais baixos, uma vez que não há necessidade de estruturação de uma operação de ponto de venda, que costuma ter custo de ativação alto e aluguéis mais caros. Outro fator importante é o alcance. Uma operação on-line pode distribuir produtos para uma quantidade de clientes bem maior do que uma loja física.

No caso de um varejista que já tem uma loja física, qual é a vantagem de expandir para adotar um e-commerce?

Oferecer serviços de valor agregado para o cliente que não pode ir à loja física. Dessa forma, mesmo que o cliente não possa ir à loja física, o produto pode ser enviado para ele. É o aumento da área de influência da loja física. É sabido também que clientes multicanais são mais fiéis e valiosos. É um ótimo indicador quando o cliente frequenta a loja física, mas também pede pelo canal on-line. Essas iniciativas garantem a comodidade e o aumento da percepção de valor da marca para o cliente, fundamental para fidelização.

Em que casos não é recomendado criar um e-commerce?

Recomendo muito planejamento prévio antes de se iniciar esse tipo de operação. Normalmente, empresas com certo nível de maturidade operacional tendem a funcionar melhor nesse segmento e, na minha opinião, concorrer com os grandes varejistas não é o melhor caminho, sendo a busca por nichos específicos a maneira mais fácil de se posicionar no mercado e ter sucesso.

Qual é o perfil do público do e-commerce de alimentos?

Como ainda estamos em uma fase inicial nesse segmento, acredito que, primeiramente, serão os heavy users de e-commerce, pessoas que já estão bem familiarizadas em comprar on-line, e também públicos de nichos específicos, pois o e-commerce pode democratizar a oferta de alimentos nichados, como refeições saud

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *