26 de março de 2019
Do cardápio ao smartphone
Carolina Laert por Carolina Laert

Como a automação está mudando os restaurantes brasileiros

É domingo, hora do almoço, e seu restaurante ou estabelecimento está lotado. Já percebeu quanto tempo demora para que seu garçom consiga realizar todos os atendimentos? Ou, então, quantos pedidos precisaram ser devolvidos devido a uma anotação errada? Pode até parecer natural esses atropelos com a casa cheia, mas são esses pequenos erros que fazem com que sua empresa perca lucro e entre na lista de lugares não recomendáveis pelos clientes.

Mas calma, nem tudo está perdido. As novas tecnologias, em especial, a automação, estão minimizando as pequenas falhas humanas e agilizando processos, permitindo que o consumidor consiga, sentado à sua própria mesa ou diretamente do seu smartphone, fazer um pedido sem espera. Por isso, quanto mais investir em inovação, mais sua empresa poderá se concentrar no que pode fazer de melhor: levar aos clientes uma ótima experiência.

O fato é que, com a utilização dessas tecnologias, a qualidade do atendimento aumenta, porque os colaboradores têm em mãos ferramentas digitais que auxiliam em suas tarefas. Dessa forma, o sistema instalado se encarrega de detalhes que muitas vezes passam despercebidos pelos funcionários. Outro fator importante é que, se há diminuição de erros, consequentemente, há menor chance de obter desperdícios e perdas.

Para Jaime Panerai Gavioli, diretor comercial do JPG Group, empresa de tecnologia gaúcha que desenvolve softwares para o autosserviço e o autoatendimento, o pagamento automatizado, por exemplo, um velho conhecido dos aplicativos de delivery e transporte, está ganhando muito espaço dentro dos restaurantes e estabelecimentos brasileiros.


Segundo ele, o varejista já percebeu que não existe mais como administrar um negócio sem inovar. “A procura por automação teve um crescimento no último ano de 20% a 30%. Aqui, integramos os estabelecimentos com aplicativos famosos, como iFood e Delivery Much, ou produzimos a plataforma digital para os nossos clientes. Uma operação de gastronomia, bem administrada, aumenta de 25% a 40% o faturamento”, comenta o executivo.

Jaime Panerai Gavioli

Independência e agilidade na hora de consumir

De acordo com pesquisa realizada no último ano pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 74% dos brasileiros usam o smartphone em pelo menos um dos passos do processo de compra na internet. Para Gavioli, isso reflete a mudança de hábito do consumidor, que, cada vez mais, prefere realizar suas compras de forma mais independente.

Nesse cenário, outra pesquisa, realizada pela Oracle Restaurant 2025, que tem como objetivo traçar um cenário para o mercado gastronômico nos próximos anos, revelou que a tendência é um aumento constante da automatização: 36% dos entrevistados afirmaram que fazer o pedido por meio de um assistente virtual melhoraria sua experiência.

“Um estabelecimento, por exemplo, que conte com autopagamento traz para o consumidor muita agilidade. Normalmente, os restaurantes trabalham com dois públicos: o tradicional, que é atendido pelo garçom ou caixa, e o público que gosta e já se acostumou em fazer compras de forma mais independente. Esse segundo estilo paga pelo celular, pelo aplicativo, via terminal de autoatendimento ou comanda eletrônica. Isso faz com que ocorra uma circulação maior entre as mesas e o público, pois as coisas funcionam mais rapidamente”, finaliza Gavioli.

Pessoas x robôs

Um estudo inédito realizado pelo Laboratório de Aprendizado de Máquinas em Finanças e Organizações da Universidade de Brasília (UNB) apontou que cerca de 30 milhões de empregos formais devem ser eliminados até 2026. De acordo com a pesquisa, em um prazo de sete anos, 54% dos empregos formais do país poderão ser ocupados por robôs e programas de computador. O percentual representa nada menos que 30 milhões de vagas com carteira assinada, se forem levados em conta os dados atuais da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho. O estudo, desenvolvido ao longo de 2018, avaliou um total de 2.602 profissões.

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