24 de junho de 2019
Do arrependimento ao acolhimento
Luciana Lima por Luciana Lima

Virei fã de uma loja pela forma como me atendeu e acolheu meu pedido

Aquela velha história de que o cliente tem sempre razão não é verdadeira, principalmente se considerarmos o Código de Defesa do Consumidor e suas garantias para as relações de compra e venda. Na prática, no entanto, lojistas de todo o país têm se empenhado para cumprir essa antiga máxima do comércio e, assim, fidelizar seus clientes.

Experimentei a sensação de ser bem atendida, mesmo não estando com a razão formal, ao escolher a roupa para uma ocasião especialíssima: o casamento de minha filha. A ideia não era exatamente escolher aquele figurino “mãe de noiva”, do tipo que se assemelha ao próprio vestido nupcial, só que de outra cor. Não era a minha linha. Além disso, não se tratava de um casamento luxuoso. Estava mais para o “arrumadinho”, com toques de festa junina. O importante era estar bem-vestida, mas sem os frufrus, plumas e paetês habituais dos vestidos que mais parecem imensos embrulhos para presentes.

Entrei em uma loja conceituada em minha cidade e, de primeira, a vendedora me apresentou o polêmico vestido. De crepe, todo azul e com bolinhas pretas. Era uma peça toda ornamentada com babados do mesmo tecido. Fora do corpo, era esquisito, mas, quando vesti, imaginei um desfile de alta costura de um estilista, mudando conceitos do que é ser elegante.

No provador, vesti a roupa e mais três peças que não estavam no script, mas que também não ornaram com o propósito do casamento. Na ânsia de resolver meu próprio dilema, que já se arrastava há meses, decidi levá-lo.

Não foi barato. Saí da loja com o vestido, tentando me convencer de que havia feito a coisa certa, mas, aos poucos, minha certeza foi se esvaindo. Duas horas depois, já o odiava. Recusava-me até a mostrar o que havia comprado. Bateu aquele arrependimento. Mas, agora, o que fazer?

Corri para a internet. No fim do dia, já tinha pesquisado tudo a respeito do direito do consumidor ao arrependimento e entendido que, em compras em lojas físicas, não tenho aqueles sete dias para devolver a mercadoria sem justificativa.

Restava-me saber a política da loja. Ao ser atendida pelo telefone, minha ansiedade deu lugar ao conforto. “Oi, me lembro, sim, de você”.

Do outro lado, comecei a minha justificativa: “Eu sei que estava lindo o vestido, mas simplesmente me arrependi; gostaria de trocar por alguma outra mercadoria”.

Acolhida em meu dilema, usei da sinceridade total, afinal não era mesmo feio, simplesmente não era para mim. A resposta me tranquilizou: “Venha à loja, de preferência em uma hora menos movimentada. Estarei à sua disposição para que você saia daqui com roupas que lhe valorizem e deixem feliz”.

Na segunda-feira pela manhã, já estava na porta da loja, esperando abrir. Saí de lá com três blusas e uma calça, feliz da vida. Gastei mais um pouquinho, mas o atendimento recebido me fidelizou. Virei fã!

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