1 de julho de 2017
Diversidade na festa literária de Paraty
Varejo SA por Varejo SA

Renata Dias
O tradicional evento apresentará uma programação com mais autoras e 30% de autores negros. Lima Barreto será o homenageado

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A 15ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) acontecerá de 26 a 30 de julho, invadindo a cidade fluminense com 22 mesas e 46 autores. Pela primeira vez, o número de autoras será superior ao de homens e os autores negros comporão 30% da programação. Além de rodas de leitura e bate-papo com escritores, a festa contará com um número expressivo de artistas da música, vídeo, cinema e teatro.

O homenageado desta edição será Lima Barreto (1881-1922), que tem sua trajetória marcada pela pluralidade de gêneros em que exerceu a literatura e por questões pessoais que atravessaram sua obra. De acordo com a curadoria desta edição da Flip, a escolha de Lima Barreto impulsionou a busca por autores múltiplos e renovadores da linguagem, assim como a própria noção de subúrbio – não apenas o subúrbio literal, registrado pelo olhar do autor sobre o Rio de Janeiro periférico, mas o subúrbio como sinônimo do que não está no centro, na acepção mais ampla possível.
A história da vida e da obra desse autor chega aos leitores brasileiros no mais completo trabalho biográfico desde A vida de Lima Barreto, publicado por Francisco Assis Barbosa, em 1952. Lima Barreto: triste visionário, de Lilia Schwarcz, autora convidada da Flip 2017, é resultado de mais de dez anos de pesquisa, abarcando a íntegra dos livros, publicações na imprensa, diários e papéis pessoais de Lima Barreto.

 

Na abertura do festival, o ator e escritor Lázaro Ramos dará voz a Lima Barreto em apresentação criada por Lilia Schwarcz, com direção de cena de Felipe Hirsch. A obra do autor será discutida diretamente em mais três mesas: “Arqueologia de um autor” tratará de seu lugar no cânone literário; “Moderno antes dos modernistas” irá discutir as peculiaridades de sua linguagem; e “Subúrbio” abordará as discussões urbanísticas presentes em sua obra.

 

Novidades – Pela primeira vez, a Flip apresentará uma série de intervenções poéticas, intitulada “Fruto Estranho”, em que, individualmente e durante 15 minutos, seis autores vão se apresentar antes das mesas, ao longo de toda a programação. O nome da série remete à música imortalizada por Billie Holiday (Strange fruit) e ao fato de cada autor trabalhar com formas híbridas – combinações de poesia, fotografia, vídeo, performance e teatro.

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Neste ano, a Flip promoverá o encontro inédito do jamaicano Marlon James e do americano Paul Beatty, dois autores negros que venceram, em dois anos consecutivos (2015 e 2016), o Man Booker Prize, prêmio mais prestigioso da língua inglesa.

 

Em diálogo com as artes e a ciência, o programa reunirá, ainda, Carlos Nader, videoartista, diretor e documentarista que, ao cruzar linguagens e desafiar rótulos, recebeu diversos prêmios; e Niéde Guidon, a mais importante arqueóloga do país, à frente do Parque Nacional da Serra da Capivara e da teoria de que o homem chegou à América muito antes do que se diz.
A programação dos cinco dias é extensa e oferece uma experiência única, permeada pela literatura. Vale a pena conferir e acompanhar: http://flip.org.br.

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