13 de maio de 2019
CORRIDA DOS UNICÓRNIOS
Varejo SA por Varejo SA

Atingir o valor de mercado de US$1 bilhão é para poucos, e não é à toa que essa marca é um objetivo almejado por startups que querem se tornar empresas de impacto. Acontece que, obviamente, isso não é nada fácil. Foi por isso que a investidora norte-americana de venture capital Aileen Lee, da Cowboy Ventures, batizou as companhias que conseguem tal façanha de Unicórnios. A ideia é, justamente, que a proporção de startups que chega a esse valuation é tão pequena que são praticamente criaturas mitológicas, raras.

O valor de US$1 bilhão é arbitrário, claro. Talvez tenha sido escolhido pelo fato de que, em 2013, ano em que o termo Unicórnio surgiu neste contexto de negócios, o Instagram foi comprado pelo Facebook por exatamente essa quantia. Na época o número parecia gigantesco para uma startup de tecnologia. Hoje, ele impressiona menos, visto que já estamos acostumados a valores maiores. O humilde WhatsApp foi comprado por US$19 bilhões pelo mesmo Facebook, enquanto a Uber, por exemplo, é cotada em US$72 bilhões.

Hoje, são 314 startups Unicórnio pelo mundo, segundo o CBInsights. Quando o termo surgiu, eram 39. Este número pode parecer alto, mas não se engane. Isso não significa que eles tenham se tornado comuns ainda: menos de 1% de todas as startups que recebem venture capital chegam ao tão sonhado valuation bilionário.

No entanto, se parece que o clube dos Unicórnios está ficando cada vez mais acessível, há uma nova fronteira à vista: a dos ‘Decacórnios’, startups avaliadas em mais de US$10 bilhões. Atualmente, existem 20 delas no mundo – incluindo aí Uber, Didi Chuxing, WeWork, AirBNB, e SpaceX. Mas e o Brasil? Embora ainda não tenhamos nenhum Decacórnio, nosso rol de Unicórnios vem crescendo rápido. Até janeiro de 2018, não havia uma única startup bilionária para chamar de nossa e hoje, pouco mais de um ano depois, já contamos com seis. A onda de capital de risco e apostas nas empresas de tecnologia está chegando às nossas praias.

Quem serão os próximos candidatos? Descubra conosco no relatório Corrida dos Unicórnios, em que consultamos especialistas de diversas áreas e analisamos as chances de novas startups brasileiras chegarem lá.

EXPLOSÃO DE UNICÓRNIOS

Os Unicórnios podem até ser considerados raros, mas vêm nascendo com cada vez mais frequência. Como pode se constatar, na última década as startups bilionárias tiveram um grande boom, sendo que, dos 314 Unicórnios mapeados pelo CBInsights, três quartos estão nos EUA (154) e China (83). Disso, surgem duas perguntas:

Qual a razão desse fenômeno? Esse modelo é sustentável?

A primeira pergunta tem uma resposta relativamente consensual. A explosão de firmas de tecnologia de capital privado com avaliações bilionárias depende, evidentemente, da disponibilidade desse capital. Segundo o Prof. William H. Janeway, economista da Universidade de Princeton e venture  capitalist, a maior disposição de investidores em injetar capital em empreendimentos arriscados, apostando em grandes retornos, vem da crise financeira global de 2008. As taxas de juros baixas ou quase nulas em bancos centrais da América do Norte e Europa incentivaram a tomada de riscos, o que explica a confiança dos investidores. Mas não é só isso. O crescimento desproporcional das startups passa também por dois fatores:

Escalabilidade: empresas de tecnologia como Google e Facebook mostraram que é possível atingir bilhões de clientes com bem menos atrito e custo e com mais velocidade que outros setores.

Necessidade maior de crescer rapidamente: no tipo de mercado conhecido como winner takes all, a empresa que cresce mais rápido geralmente elimina ou absorve as outras e reina sozinha. Isso exige quantidades enormes de capital, capazes de alimentar a expansão acelerada mesmo enquanto a empresa não lucra – o que pode demorar anos, ou até mesmo nunca acontecer. A Uber, por exemplo, avaliada em US$72 bilhões, ainda não dá lucros e continua buscando capital de expansão.

A questão sobre a sustentabilidade desse cenário é mais controversa. Para alguns, a proliferação de startups de tecnologia sustentadas por venture capital é um sinal de que estamos entrando em um novo modelo econômico, em que a inovação e tecnologia são mais valorizadas e a busca pela disrupção virou prioridade, tornando mercados e indústrias mais ágeis e eficientes. Para outros, é uma bolha: essas companhias estariam sendo supervalorizadas e induzidas a um modelo insustentável que – se as fontes de capital se fecharem – levará à morte de muitos dos Unicórnios e aspirantes a Unicórnios que conhecemos hoje. Grande parte deles, segundo o Prof. Janeway, jamais provaram-se capazes de manterem-se em pé sem injeções constantes de dinheiro para gastarem como quiserem.

Independente dos indicativos do futuro dos Unicórnios de forma geral, chegar nesse patamar é uma grande conquista para qualquer companhia, e representa uma confiança do mercado no sucesso futuro da startup. Mesmo que seja uma bolha, muitas dessas empresas vieram para ficar. Resta saber quais.

CAPITAL PARA CRESCER

O investimento em empresas em estado inicial por meio de capital de risco, ou venture capital, é um dos principais fatores que permite que Unicórnios surjam. Mais que isso, no entanto, é uma forma de possibilitar toda uma nova classe de empreendimentos, cujo modelo de negócios não necessariamente funciona em todas as escalas e níveis de desenvolvimento. Por meio de injeções estratégicas de capital, uma startup pode introduzir tecnologia que só faz sentido, financeiramente, quando usada por uma massa enorme de usuários – sem se preocupar em como vai sobreviver o período em que essa massa ainda não é atingida.

Veja ao lado os investimentos que os diferentes Unicórnios e aspirantes captaram e divulgaram nos últimos anos. Os próximos Unicórnios terão ascensões graduais em sua captação ou um investimento gigantesco os levará à estratosfera? O tempo dirá. Mas com fundos internacionais bilionários cada vez mais atentos à América Latina, parece provável que rodadas grandes serão cada vez mais comuns por aqui.

CONCLUSÃO

Elaboramos o estudo  Corrida dos Unicórnios.  com o objetivo de fomentar a discussão no mercado de startups e investidores. Além disso, acreditamos que é importante celebrar o sucesso e reconhecimento – seja na forma de prêmios, deals, ou até mesmo, sim, valuations bilionários – daqueles que ousam inovar e trazer a tecnologia como forma de resolver problemas.

Ser um Unicórnio não faz de uma startup, um time ou uma ideia melhor que outra – mas o fato de que já chegamos ao ponto em que podemos discutir isso significa que o nosso ecossistema está amadurecendo. No que parece um piscar de olhos, fomos de um país sem Unicórnios a um que parece estar desenvolvendo uma verdadeira manada, e rápido. Se o Brasil está evoluindo na sua capacidade de empreender, alocar capital e assumir riscos em prol do desenvolvimento tecnológico amplamente difundido, temos muito a comemorar.

As startups que listamos aqui são aquelas que são vistas como boas candidatas ao título, mas isso não é garantia de que chegarão lá e muito menos uma afirmação de que as que não aparecem aqui não chegarão. Uma das coisas realmente especiais de se trabalhar neste espaço de inovação constante, crescimento exponencial e ideias revolucionárias é que podemos ser surpreendidos a qualquer momento pelo novo. E quando o novo chegar, estaremos lá para acompanhá-lo, entendê-lo, e mapeá-lo – esse é compromisso do Distrito Dataminer.

Aproveite e confira o estudo completo no site – http://conteudo.distrito.me/unicornios

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