3 de novembro de 2018
Conviver na divergência
Renata Dias por Renata Dias

O Brasil acaba de sair de um período eleitoral tenso, de extrema polarização política, que tomou conta de boa parte das nossas relações. As opiniões divergentes se acirraram e as pessoas defenderam seus pontos de vista avidamente, cada um com suas razões, argumentos e convicções sobre o que seria o melhor caminho. O problema é que junto com isso, intolerância, agressão verbal, sentimentos e emoções à flor da pele acabaram ganhando espaço deixando para trás amizades desfeitas e até relações familiares estremecidas. E nos ambientes de trabalho? O que fica de lição ao lidar com opiniões divergentes?

Algumas marcas e empresas se posicionara publicamente a favor de um candidato ou partido e, na visão de especialistas, essa atitude pode se mostrar muito arriscada. Afinal, os políticos passam, mas a relação com seus públicos permanece. O negócio precisa estar ligado a ideias e não a pessoas.  Para Marcus Salusse, coordenador de projetos do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas, empreendedores não devem apoiar candidatos, mas, sim, causas. “Vá atrás de ideias e conceitos que tenham a ver com o seu negócio, com a sua proposta de valor e com o que sua empresa acredita. Questões que sejam suprapartidárias e perpassem os partidos políticos.”

O modo como lidamos com as divergências dizem muito sobre a nossa própria personalidade e como entendemos as relações de poder, hierarquia e lideranças. Ter um funcionário que destoa totalmente dos propósitos da organização é sinal que ele não entende ou não está inserido da cultura empresarial.

Para Hilaine Yaccoub, cientista social e doutora em Antropologia do Consumo, a cultura da empresa precisa ser cuidada diariamente, pois ela é feita por diferentes pessoas que possuem diversas origens. “Mesmo quando possuímos valores, opiniões, bandeiras, crenças ou moralidades divergentes precisamos entender que naquele momento, no campo do trabalho, precisamos estabelecer um mesmo objetivo, a sustentabilidade econômica e social da corporação precisa ser o foco para que o bem comum tenha solidez e equilíbrio”, avaliou. 

Para enfrentar os reflexos dos posicionamentos diferentes, é preciso contar com o bom senso e compreender o ambiente de trabalho. É preciso levar em conta se a empresa dá margem para debates, se é um local mais rígido ou tradicional, se ela proporciona momentos para esse tipo de discussão, se existe mais flexibilidade e pluralidade de ideias e como são as pessoas que trabalham com você.

Solange Santos, consultora de treinamento de empresas e desenvolvimento comportamental, explica que a tendência é expressar pontos de vista com argumentos para convencer o outro, ‘mostrar que eu estou certo e o outro errado’, que além de afetar o relacionamento, impacta no desempenho das tarefas. “Conversas equilibradas e discussões saudáveis podem ser válidas em qualquer ambiente. Mas, principalmente no trabalho, é recomendável que além de respeitar opiniões contrárias e expor argumentos sem levar para o lado pessoal, os assuntos controversos, que não tenham relação com o negócio e opiniões políticas, sejam evitados”, pondera.

 “A empresa e a vida em sociedade não pode se tornar um grande tribunal”, avalia Hilaine. No momento em que as polaridades se fazem presentes e reproduzem violências simbólicas, é preciso exercitar o lugar da escuta, e relativizar as linguagens. “Precisamos enxergar o outro para além das suas convicções políticas porque precisamos de fato, uns dos outros, e aprender a conviver com a diferença é uma questão de sobrevivência em tempos atuais. As afinidades precisam ganhar destaque, serem valorizadas e as relações alimentadas”, continua a especialista.

Fim do ano

Bom, o fato é que o desejo de todos é de prosperidades, com a retomada da estabilidade, de investimentos e crescimento no Brasil. Fim do ano é o momento de assumir uma postura proativa para preparar um futuro que já chegou, exercendo a criatividade e a colaboração.

Para Solange, as confraternizações corporativas de fim de ano são muito esperadas pelos colaboradores e é uma excelente oportunidade para empresa deixar uma mensagem positiva, reforçar que o sucesso e a conquista dos objetivos dependem diretamente da integração, da colaboração e do relacionamento. “As pessoas geralmente se sentem mais dispostas a esquecer as turbulências, renovar suas esperanças e focar esforços no alcance de um resultado melhor. Por mais que pareça simbólico, as confraternizações de marcam o encerramento de um período e o início de um novo ciclo.” Então, vale planejar esse momento com carinho para unir e pacificar as equipes.


Dicas para ter sucesso na sua confraternização.

  1. Conheça seu público: idade, perfil socioeconômico, gostos musicais e outras preferências são importantes para definir o tema e o formato do evento
  2. Capriche no entretenimento e nos comes e bebes
  3. Uma palestra motivacional, curta duração, pode dar o tom e chamar à reflexão
  4. Promova e incentive talentos artísticos da sua equipe
  5. Surpreenda os colaboradores: brindes, sorteios, presentes e todos os mimos que eles merecem

Comunicação Não-Violenta

Comunicação Não-Violenta é uma abordagem de resolução de conflitos que, por meio de uma série de práticas (feitas em grupo, em oficinas, cursos, dinâmicas) propõe a consideração do todo: fatos externos, auto-observação, contato com sentimentos e crenças, percepções das necessidades individuais e do outro, admissão e celebração das diferenças. Dessa forma, desperta-se a empatia e a compaixão, sentimentos que são inerentes a todo ser humano, resultando na pacificação da guerra cotidiana.

Fonte: Projeto Draft

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