11 de fevereiro de 2019
Compliance
por Giovanna Jardim

Nos últimos anos, a sociedade brasileira vem alcançando níveis mais altos de exigência pela transparência e pelo cumprimento de regras, tanto por parte do setor público do país quanto das empresas cujos produtos ou serviços são consumidos.

Independentemente do viés ideológico ou político, práticas anticorrupção são cada vez mais discutidas entre os diversos núcleos de cidadãos brasileiros. Em virtude da facilitação do acesso à informação, não são poucas as pessoas que simplesmente optam, por exemplo, na hora de votar, por um candidato cujo histórico seja de seriedade e honestidade, além da apresentação de propostas públicas interessantes.

O conceito de compliance empresarial vai ao encontro de um valor muito semelhante, ou seja, os consumidores querem adquirir produtos ou serviços produzidos por empresas responsáveis, comprometidas, sobretudo, com regras sérias de defesa do meio ambiente, além das regras comerciais e jurídicas do país em que atua, e, em muitos casos, com sólidos propósitos sociais em suas atividades.

Estudo apresentado pela pesquisa “Integridade Corporativa no Brasil – Evolução do Compliance e das Boas Práticas Empresariais nos Últimos Anos”, realizado pela Deloitte e pela ICC Brasil, a partir das respostas de 211 organizações, apontou justamente uma evolução consistente na adoção de práticas de compliance, anticorrupção e promoção da integridade corporativa pelas empresas que operam no país.

O levantamento identificou que, até 2020, 65% das empresas entrevistadas adotarão ao menos 15 práticas de compliance. Alguns exemplos são a adoção de indicadores de conformidade, controles financeiros, condução de investigações internas, implementação de canais de denúncias anônimas, auditorias interna e externa, código de ética e conduta, entre vários outros.

Outro dado importante revelado pelo estudo é que, em termos de contribuição financeira, o resultado positivo alcançado pelas empresas que adotam práticas de compliance tem o reconhecimento de 84% desses empresários.

Apesar das vantagens, a adoção de práticas de governança no Brasil é lenta, segundo o estudo. Para Ronaldo Fragoso, sócio em Consultoria de Risco da Delloite, a expansão do número de empresas tem relação com as investigações conduzidas pela Lava-Jato, que levou à prisão de empresários e à entrada em vigor de marcos regulatórios, a exemplo da Lei Anticorrupção e da Lei de Responsabilidade das Estatais. “O custo de não ter regras claras de governança começou a ser percebido como muito mais alto do que o de ter um programa de compliance”, afirma.

Outro desafio por parte das empresas é monitorar o compliance. Um estudo divulgado pela KPMG apontou que descobrir se a metodologia adotada está funcionando de forma eficiente ainda é uma dificuldade comum. Além disso, mapear os riscos, desenvolver indicadores-chave e integrar a função com outras áreas do negócio são formas de adotar medidas éticas dentro da empresa.

O fato é que o conceito está se propagando no meio comercial e, do ponto de vista dos consumidores, cada vez mais pessoas avaliam que a reputação das empresas é fundamental na escolha do produto ou serviço.

Não se trata mais de refletir quando adotar ou não práticas de governança e, sim, de como fazê-lo para acompanhar o crescimento econômico e social em um nível considerável.

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