11 de dezembro de 2018
Começa um ciclo
Marcela Kawauti por Marcela Kawauti

Em alguns dias, entraremos no último ano da década. Lá se vai mais uma dessas décadas em que o país perdeu o seu rumo. O desafio primordial agora é reencontrá-lo. Com o ano novo, começarão mais um mandato presidencial e uma nova legislatura. Estaremos, então, sob os auspícios de uma nova agenda, de um novo ciclo – se bom ou ruim, ainda é muito cedo para dizer.

O fato é que a simples perspectiva do recomeço costuma produzir impacto sobre os ânimos de consumidores e empresários e, afetando o humor desses agentes, também pode produzir alguma melhora na economia.

As linhas gerais da agenda econômica são boas. Há a arrojada promessa de zerar o deficit fiscal em poucos anos; de simplificar o complexo sistema tributário; de promover a abertura da economia para o comércio internacional;de priorizar os perfis técnicos em postos-chave da administração pública. Masas medidas mais importantes terão que passar pelo filtro do Congresso e ainda não é possível prever se o delicado equilíbrio das forças políticas garantirá – e por quanto tempo – maiorias para aprovar as reformas de que o país tanto precisa.

Hoje, as projeções de crescimento econômico para o próximo ano situam-se em torno de 2,5%. O resultado poderá ser melhor ou pior, a depender do sucesso do novo governo. Para o comércio varejista, as projeções de instituições financeiras apontam para um crescimento acima de 3,5%. Isso ainda não seria suficiente para reestabelecer os níveis de antes da crise, mas já colocaria a atividade do comércio acima dos níveis observados no período mais crítico da recessão.

Para além das questões conjunturais, desde já é preciso começar a ajustar o foco no futuro. Embalado pelo advento de novas tecnologias, o futuro reserva novos desafios e grandes oportunidades ao setor varejista. Há pouco tempo, a aposta era de que os cartões substituiriam o “dinheiro vivo”; agora, o próprio futuro dos cartões já é colocado em dúvida. Há pouco tempo, o consumidor saía em busca de um estabelecimento; agora, os programas de inteligência artificial também saem à caça do consumidor.

Em suma, há boas chances de se observar uma recuperação mais consistente nos próximos anos, o que poderá liberar mais tempo para pensarmos sobre o futuro, um futuro que já chegou.

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