18ª edição
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Sobre mudar e preservar

Por Marcela Kawauti Economista-chefe do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil)

Não é de hoje que as pesquisas de opinião pública captam certo enfado da população. Há um apelo por novas práticas, novas ideias, novos atores. No fundo, o que se pede é um novo horizonte. Como resposta, agora surgem por toda parte movimentos da sociedade civil, fora dos partidos tradicionais, na busca de soluções para as mazelas do país.

Estamos diante de um despertar cívico, de uma porta aberta para a mudança de práticas supostamente enraizadas na nossa cultura. Com razão, o brasileiro já identificou que as dificuldades econômicas não estão dissociadas dos malfeitos na política e que o pleno desenvolvimento, no longo prazo, exige conformidade com a ética.

Olhando para trás, é verdade que nem sempre os métodos mais republicanos pautaram a definição dos rumos do país, mas também é verdade que não ficamos parados no tempo. O país avançou, mesmo que trôpego em alguns momentos. Foi a atividade política que deu ocasião, por exemplo, ao combate da hiperinflação na década de 1990, com a criação do Plano Real; também foi a atividade política que possibilitou a ampliação do acesso ao consumo ocorrida nos anos 2000 e que legou, mais recentemente, a aprovação de reformas estruturais importantes.

Paralelamente, as instituições de controle tornaram-se mais vigilantes e atuantes, podendo, assim, desbaratar e trazer à tona esquemas de desvios maiores do que imaginávamos existir. Decerto, ainda há muito o que superar, mas também há o que preservar. A boa mudança preza pela prudência e desvela-se serena. Isso vale para o país e para o dia a dia – boa parte dos grandes legados e descobertas é construída aos poucos, por incrementos.

Pode parecer pouco evidente, mas a renovação pela qual tanto se anseia já está em curso e se fortalece a cada vez que a sociedade informa-se e toma posição sobre os rumos do país. Que possamos encontrar, em 2018, o equilíbrio entre a necessária mudança e a preservação.

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