19ª edição

Sou compradora assídua de uma marca de roupas de moda, uma espécie de lover e defensora do estilo adotado pela grife. É uma marca considerada slow fashion, caracterizada por produção restrita, bom acabamento, maior parte das peças de produção própria e uma identidade singular.

Em uma de suas lojas, por duas vezes presenciei situações nada comuns à marca. Diante de uma reclamação feita por mim nas redes sociais, a gerente da unidade me ligou. Ela queria se apresentar, pediu desculpas pelo ocorrido (nada muito sério) e, durante a conversa, evoluímos para uma reflexão: a dificuldade na formação da equipe de vendas.

Sim, a marca pode ter uma verba incrível para o marketing, fazer milagre com as redes sociais, ser engajada em seu planejamento de coleções e conseguir uma relação íntima com seus consumidores por meio dos gerentes, mas, se a equipe no front não estiver alinhada, tudo pode ser perdido.

Estamos numa era em que o atendimento passou a ser muito mais que a ligação entre a gôndola, o estoque e o caixa. Vender é um ofício, uma formação que, ao que percebo, não parece ser encarada com a devida relevância pelos próprios vendedores. Estamos vivendo uma era desafiadora, em que o lugar do vendedor deixa de ser uma profissão para virar um estado. Não se é vendedor, se está vendedor. Muitos veem e tomam esse trabalho como um bico, uma má fase, e a visualização de um plano de carreira no ramo das vendas não é feita.

Pense que, com exemplos práticos e concretos, se pode mudar a percepção de um time inteiro. Sua empresa costuma valorizar talentos e realizar promoções internas? Todos conhecem essa forma de valorização?

Pense em se colocar no lugar do seu time de frente; ele é sua imagem, sua força. Procure ouvir os líderes acima desse grupo e realizar mudanças na base, essas, sim, serão sentidas pela empresa e por nós, clientes.

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