23ª edição

De 2014 para cá, o país andou para trás e, só agora, começa a dar os primeiros passos para frente. Ainda não conseguimos voltar aos patamares de renda e produção daquele ano e, tudo indica, vai demorar mais um pouco até que cheguemos lá. Nesse intervalo, crise econômica e crise política alimentaram-se, abrindo uma espiral de deterioração das contas públicas, da confiança e da atividade.

É passado, mas nem tanto. Qual seria o padrão de vida da população caso o PIB per capita tivesse avançado ano após ano? Certamente, bem melhor do que é hoje. Não se cuida aqui de apontar culpados para os anos perdidos. De certa forma, todos respondemos pelos descaminhos do país. Como em 2014, voltaremos mais uma vez às urnas para escolher o representante do cargo máximo da República, mas não só. Com o recente protagonismo do Congresso, a escolha de representantes do Legislativo tornou-se igualmente importante. Também haverá a escolha do Executivo e Legislativo estaduais, que tampouco deve ser negligenciada.

Neste ano, teremos uma campanha mais curta e, ao mesmo tempo, um cenário que deve permanecer indefinido até bem próximo do pleito, mas já é possível conhecer as diretrizes e o histórico dos principais postulantes. A informação é a principal arma do cidadão, desde que buscada e avaliada sob senso crítico, algo que, em tempos de fake news, se torna ainda mais necessário.

O nome que sair das urnas não enfrentará conjuntura fácil. O quadro atual é de crescimento lento e contas públicas bastante prejudicadas. Diagnósticos que se furtem a reconhecer os desafios que estão colocados para os próximos anos devem ser vistos com cautela, pois dificilmente o ajuste será indolor. A perspectiva do eleitor no momento do voto, no entanto, deve ser de longo prazo: o sacrifício de agora poderá pavimentar uma trajetória menos tortuosa amanhã.

Já falamos neste espaço da apatia que, com razão, se abate sobre o eleitorado. Pontuamos também que, mesmo aos trancos e barrancos, conseguimos avançar desde a redemocratização. Agora, talvez seja a hora e a vez de consolidarmos os valores republicanos, fazendo valer, com o voto, o repúdio à malversação dos recursos públicos.

Se não for assim, pelo menos você terá feito sua parte. Todas as escolhas que o país fizer nas urnas não se delimitarão aos quatro anos de mandato, mas repercutirão, positiva ou negativamente, ao longo de gerações. 2018 é só o primeiro ano de todo o futuro que vem pela frente.

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