16ª edição

Zapeando, me deparo com o programa do Faustão num domingo de dezembro. O programa estava em festa, porque premiava os “melhores do ano” segundo voto popular. Para melhor atriz, concorriam duas mulheres que estrelaram personagens bem distintas na controversa novela A força do querer, de autoria de Glória Perez. Uma delas, Juliana Paes, interpretou a Bibi Perigosa, baseada na verdadeira história da ex-traficante de drogas Fabiana Escobar. Influenciada por seu marido, que se corrompe, ela é paulatinamente inserida no mundo do crime e nós, espectadores, somos levados a torcer por ela, a Bibi, uma traficante. Do outro lado, temos Paolla Oliveira, que interpretou a comandante Jeiza, também baseada em uma personalidade real. A atriz nos mostra uma mulher que enfrenta a discriminação, pois era policial com um alto cargo de chefia e também lutava MMA, esporte até bem pouco tempo apenas praticado por homens.

Quem ganharia? A popular, polêmica e divertida traficante ou a mocinha boa de briga que defendia a moral e a ética?

Pois bem, o povo votou e elegeu a moralidade e ética. A atriz, ao receber seu troféu, afirmou em tom altivo: “Estou muito feliz de estar aqui pela novela. Vocês compraram uma mulher forte, cheia de opinião, diferente e essa é a mulher que a gente quer ver na vida. Essa mulher é bom caráter, sim, é guerreira, sim. Que a mulher tenha força e voz sempre”.

Foi aplaudida de pé. Sua voz era a voz de muitas mulheres batalhadoras que não se deixaram levar por atalhos na vida. Mulher, qual é sua luta? Agora, pergunto a você, varejista: você conhece essa nova mulher? Como você se posiciona diante de tamanha transformação?

As mulheres mudaram. Elas são muitas, sabem que a idade é uma construção cultural e querem ter escolha, querem se identificar com as marcas que usam. Essas mulheres pesquisam em todas as lojas, fazem um garimpo para buscar o melhor custo-benefício. Toda empresa precisa se tornar parceira dessa nova mulher, se reinventar, descobrir o que as mulheres querem. Essa nova mulher, muitas vezes, privilegia filhos e casa, mas ela se sente poderosa quando compra algo para si mesma. Então, por que não aproveitar e dar um mergulho em sua vida para saber como ela se vê, ou melhor, como ela quer ser vista e representada?

Estamos lidando com um grupo ainda moralmente comprometido por instituições como família, trabalho e Igreja, mas pouco a pouco as mulheres ganham espaço, força e autonomia. Quer fazer diferente em 2018? Conquiste essa nova mulher, aquela que reconhece o desafio e não foge à luta!

 

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