24ª edição

Analisando o momento pelo qual estamos passando em nosso país, nesse período eleitoral, me veio à mente o número de vezes que participei como eleitor e preciso admitir que, nas eleições passadas, nunca vivenciei algo tão estranho, diferente, grotesco e perturbador. Nesse clima, tenho procurado ouvir, sentir e falar e procurei imaginar o Brasil como uma pessoa, um eleitor, com condições de falar. O que ele me diria sobre neste momento? Imagino que me responderia dessa forma:

“Senhor Adelmo, o que tenho a dizer é que teremos uma eleição com os mesmos partidos e candidatos; com esse fato, me desperta um forte sentimento de rejeição a esse cenário de mesmice de propostas e formas de comunicar. Se um pesquisador me pergunta, me sinto obrigado a pensar em um nome. Sempre me vem à cabeça os nomes já conhecidos e isso me incomoda.”

O Brasil continuaria:

“Mas não posso desaminar neste momento, mesmo sabendo que essas eleições serão como as outras. Votar é fundamental. Mesmo sendo algo aparentemente simples, acredito que esse ato é um princípio de um governo democrático, sendo um mecanismo importante. Só assim poderei escolher e autorizar meu representante a atuar nos meus interesses.

Às vezes, sou tomado por um sentimento de apatia em torno desse momento eleitoral, relacionado à qualidade dos atuais representantes. Sei que tenho que assumir minha culpa e responsabilidade, pois acredito que eu não tenha utilizado da melhor forma possível a plena liberdade a que tenho direito, até porque tenho propiciado um Estado Democrático de Direito para aperfeiçoar a escolha dos meus representantes.”

Ele ainda me diria o seguinte:

“Sei que a política é necessária, mas tenho certeza de que também é esperança. Claro que vai depender de o candidato encarnar uma comunicação que traga uma mensagem consistente com o que eu estou sentindo. Sei que meu clamor no momento atual não é mais inflação; agora, eu grito por emprego, segurança e, principalmente, pelo fim da corrupção. Claro que continuo desejando dias melhores para mim.”

Finalizando, falaria:

“Continuo cada vez mais carente de verdadeiros líderes, pois acredito que preciso de representantes com a visão da minha importância e, ao mesmo tempo, a visão da decência e da democracia. Só assim eles poderão me oferecer um maior bem-estar. Chega de me curvar a oportunistas, incompetentes e corruptos!”

Se pudesse falar, acredito que essa seria a atual e a verdadeira VOZ DO BRASIL.

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