20 de maio de 2019
Cervejarias artesanais e o boom no mercado brasileiro
Carolina Laert por Carolina Laert

Você sabia que uma das bebidas mais desejadas do mundo também é uma das mais antigas? Segundo os registros, foram os sumérios – antiga civilização do Sul da Mesopotâmia –, entre 3.500 e 3.100 a.C., que deram os primeiros passos para a fabricação da cerveja. É bem provável que a descoberta tenha ocorrido por acaso: quando algum pedaço de pão de centeio estragou e passou a apresentar um sabor diferente, fruto da fermentação alcoólica.

De lá para cá, as receitas da bebida foram aprimoradas e novos ingredientes, adicionados, inclusive o lúpulo – responsável pelas substâncias que conferem amargor e aroma à cerveja. Contudo, é por causa dessa antiga forma artesanal de fazer cerveja que o mercado anda bem aquecido. De acordo com a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), a categoria de cervejas artesanais tem crescido de forma bastante acelerada: em 2018, houve um aumento de 23% em volume de vendas, atingindo 167,4 milhões de litros, e há grandes expectativas para 2019 – a previsão é um avanço de 25% a 30% sobre esse volume.

Outro número bastante otimista do setor foi revelado pelos pesquisadores Eduardo Fernando Marcusso e Carlos Vitor Müller, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Segundo eles, o Brasil fechou 2018 com 889 cervejarias, 210 a mais do que 2017. Dos 5.570 municípios brasileiros, 479 já possuem pelo menos uma cervejaria registrada.

Para o empresário Tiago Souza, um dos sócios da Cervejaria Criolina, no Distrito Federal, um dos fatores para o crescimento no setor se deve à mudança no hábito de consumo dos brasileiros. Segundo ele, as cervejarias artesanais estão contribuindo muito para essa mudança no paladar das pessoas, o que explica também o crescimento do número de fábricas no Brasil: de acordo com a pesquisa do Mapa, no último ano, houve um crescimento de 30% na quantidade de fábricas.

Fazendo diferente e a diferença

“Somos mais a cerveja da cultura do que a cultura da cerveja”, conta Souza sobre os diferenciais da Cervejaria Criolina. Isso porque, além dos rótulos oferecidos, o espaço em que a cervejaria está localizada promove diversos shows, exposições, entre outros eventos culturais. “Não disputamos muito o espaço com cervejas que fazem parte da cultura da cerveja, por isso também não lançamos rótulos todo o tempo. O que nós queremos é levar a cerveja artesanal aos locais que antes só consumiam as tradicionais”, explica. 

Outro ponto levantado pelo empresário é o movimento que as grandes cervejarias estão fazendo. “Com as cervejarias artesanais, as grandes e tradicionais estão precisando se adaptar. As marcas estão lançando novos rótulos, com um sabor mais artesanal, e aprimorando mais o gosto das cervejas, é o gigante se mexendo”, brinca.

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