4ª edição

Oficina do Futuro

Oficinas mecânicas são ambientes sujos, escuros e até pouco recomendáveis de serem visitados por mulheres. Bem, isso é o que diz o clichê negativo sobre esses lugares. Mas está longe de ser o caso da Oficina do Chiquinho, em Itaquaquecetuba, a 37 quilômetros da capital paulista.

Em ambiente arejado, claro, o foco ali é um só: sustentabilidade. O proprietário, Francisco Severiano Alves, 51 anos, revolucionou o conceito de oficina a partir do uso de energia solar e da captação de água da chuva para reúso. “É uma coisa que poucas oficinas fazem, pois a maioria aluga o espaço e acaba não fazendo o investimento”, comenta. “Mas, além do ganho óbvio de economia da tarifa, você ainda atrai mais clientes pelo conceito”.

Sua oficina usa telhas translúcidas para ter mais claridade no ambiente e reduzir a conta. A economia é de cerca de R$ 500 por mês. Outra ideia foi a captação de água da chuva feita por meio de duas calhas no telhado, que abasteciam uma caixa d’água de mil litros. Esta, logo se mostrou pequena e foi substituída por cisterna. O resultado foi tão positivo que, em 2014, Chiquinho construiu outra cisterna, com capacidade para armazenar cinco mil litros de água. Atualmente, 90% da água utilizada na oficina provém das chuvas. Todo óleo usado é encaminhado para reciclagem, assim como outros materiais, como papelão das embalagens e peças usadas, que são vendidas, gerando uma receita média de 300 reais por mês.

O sucesso foi tanto que Chiquinho começou a dar palestras sobre suas ideias e também passou a aparecer frequentemente na mídia, como, por exemplo, no programa “Como Será?” , da Rede Globo, com foco em sustentabilidade. É aluno e professor, pois está sempre fazendo cursos para incrementar sua performance empresarial.

Chiquinho começou a trabalhar em oficinas com 16 anos de idade, levado pelo pai, que tinha uma kombi velha que só dava problemas. “Desde então sempre me preocupei em melhorar meu negócio. O segredo é gostar do que se faz e fazê-lo com amor”, conclui.

Pela natureza do meu serviço, não uso internet para entregas, como o Rodrigo, mas sim como um ótimo canal de comunicação com o cliente

Francisco Severiano Alves

PONTOS DE VIRADA

  • Conscientização ambiental em lugar associado a poluição (carros)
  • Segunda carreira: de empresário a palestrante
  • Foco em formação profissional, otimizando o negócio
  • Mídia positiva, espontânea
Salto: em dez anos, 95% dos gastos foram poupados com luz solar e com água de reúso.

Saudável e congelada

Quem procura comida congelada nos supermercados da vida, sabe: há pouca coisa que vale a pena, normalmente produtos industrializados, com muito sódio. É algo que fica na linha junkie food.

Há pouco mais de dois anos, o administrador de empresas Rodrigo Bindes, 34, resolveu enfrentar o preconceito. Comprou uma loja já existente, a Nutrifresh Alimentação Inteligente, em Brasília, e alçou voos não imaginados pelo dono anterior.

Com novas receitas, baseadas em comida com baixo teor de sódio e gordura, cresceu gradualmente a demanda. Hoje, sua marca tem cinco franquias e mais duas estão por abrir.

Mas, qual o segredo? Um deles foi a otimização do uso da internet. “Sempre fazemos campanhas exclusivas on-line para levar mais gente para nossa página”, explica. O site também funciona como vitrine para consumidores ainda receosos. “As pessoas que ainda têm medo de adquirir virtualmente entram no site, conhecem nosso produto e vão até a loja comprar”, afirma. Para tanto abusa de redes sociais campeãs de comida, como Instagram e Facebook.

“Apostei na urgência do mundo moderno, as pessoas não têm tempo para nada, mas querem consumir com responsabilidade, querem saúde”, explica. Para garantir a alta performance, ele conta com o apoio do Sebrae, por meio do programa “Agentes Locais de Inovação”. Todo mês, um agente passa em sua loja, analisa os pontos fortes e fracos, além de fornecer sempre o que há de mais atual em literatura sobre negócios. “Esse tipo de ajuda é fundamental para o empresário que quer sair do básico”, conclui.

Achei ótima a ideia do Chiquinho de fazer uma oficina sustentável. Não se trata de moda, mas uma tendência irreversível. No meu caso, pretendo inovar em breve com embalagens biodegradáveis

Rodrigo Bindes

PONTOS DE VIRADA

  • Enfrentando o preconceito
  • Otimização do on-line
  • Abertura de franquias
  • Mudança de paradigma: comida congelada é boa
  • Uso massivo de redes sociais
Salto: em pouco mais de dois anos e meio, Rodrigo saltou de uma loja fixa para sete (franquias).
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