9 de outubro de 2018
Cafés especiais: uma experiência sensorial
Varejo SA por Varejo SA

Por Marina Bártholo

Consumo de cafés especiais alavanca o mercado do grão no Brasil e cria um ciclo de busca por novas experiências

 

Experimentar nunca foi tão relevante para o mercado de café no Brasil. A busca por novos sabores e aromas instiga cada vez mais pessoas a viver a experiência sensorial de descobrir os detalhes de cafés especiais. Esse crescente interesse será responsável por movimentar R$ 3,9 bilhões ao ano até 2020, estima a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

Cafés especiais custam até três vezes mais do que o comum, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Curiosamente, a venda desse produto diferenciado ascendeu 15% ao ano desde 2012, enquanto o mercado de cafés como um todo cresceu cerca de 3,6% ao ano, segundo a BSCA.

Oficialmente, a BSCA classifica como café especial aquele que alcançou pontuação de qualidade acima de 80, certificação de origem e de sustentabilidade, rastreabilidade, 100% arábica e preço premium. Por outro lado, os amantes de café consideram especial aquele grão que foi pensado desde o plantio para desenvolver um sabor único, raro, com uma assinatura. Foi o que concluiu um estudo realizado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) sobre o comportamento de consumidores de cafés especiais no Brasil. Entre as revelações, estão a intenção de aumentar o gasto com esses produtos (73% dos entrevistados), o interesse por novos métodos de preparo e a disposição por aprender e despertar em outras pessoas a paixão por café. Por isso, os aficionados valorizam muito as informações sobre a bebida que consomem.

Coffee lover

Sabor cítrico, frutado, florado, com notas de chocolate, aroma pronunciado. Cada característica e combinação são uma oportunidade de novas experiências com o café. São infinitas as possibilidades de sabor, que passam também pela origem dos grãos, solo e altitude da plantação, fermentação do fruto, torra, moagem e método de extração. Tudo isso pode ser compreendido em um gole.

Foi esse universo de possibilidades que despertou no empresário e barista Fabrício Lima a paixão pelo café. O cafezinho tradicional nunca o havia conquistado. Isso mudou depois de participar de um curso de degustação, dando início a um verdadeiro caso de amor com o café. “Quanto mais fundo se vai, menos se consegue sair. Foi a imersão que me gerou essa vontade. Agora, quero mostrar para as pessoas a variedade de sabores dos diferentes cafés”, explica.

Com o desejo latente e bastante conhecimento, o coffee lover criou a Seu Patrício Querido Café, em Brasília, em sociedade com sua esposa, Flávia Dutra. Inaugurada em 2016, a cafeteria já conta com duas unidades e oferece diversos métodos de preparo. O preferido do empresário é o japonês Kalita. Para ele, é a extração ideal, pois proporciona um corpo melhor, mais leve, e exige habilidade do especialista.

Entre os métodos curiosos, está o Chemex, que consiste em tripla filtragem e resulta em um café com “cara” de chá. Apesar da aparência, esse tipo de extração revela sabores que se tornam bem pronunciados. Isso é possível quando o café utilizado é mais complexo. Pensando nisso, o empresário escolheu a dedo o de sua loja. Conseguiu uma parceria com um reconhecido mestre de torra, que produziu uma torrefação personalizada para a cafeteria Seu Patrício.

Trabalhar com cafés personalizados, vindos de pequenas produções, é uma tendência no segmento. Para Lima, isso garante a qualidade da bebida que vai entregar aos clientes e constrói seu diferencial.

Venda de grãos

Em sintonia com o aquecimento do mercado de cafés, o número de cafeterias no Brasil atingiu a marca de 13 mil, das quais 66% são independentes, segundo levantamento da BSCA. O interesse em frequentar esses estabelecimentos e aprender mais sobre cafés aumentou e a vontade de consumir o tipo especial em casa também tem crescido.

“A venda de grãos tem sido mais expressiva. Hoje, as pessoas estão renovando os estoques de café de casa”, observa o empresário. Ele vende o café utilizado na Seu Patrício e pensa em desenvolver a própria marca.

Além da venda nas cafeterias, o acesso a cafés especiais tem facilidades, como os clubes de assinatura – uma modalidade com diversas opções na internet. Lima conta que, durante muito tempo, participou do Moka Clube e teve a chance de descobrir diferentes blends e aprofundar seu conhecimento.

No Brasil, há pelo menos dez clubes de assinatura consolidados, que enviam para a casa dos membros de 250 gramas a um quilo de cafés especiais por mês. O valor pode variar de R$ 35 a R$ 150 e, além da comodidade, o custo é menor do que nas lojas físicas.

Quadro:
Maneiras curiosas de consumir café pelo mundo

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