8 de janeiro de 2018
Beleza tem crise?
Varejo SA por Varejo SA

Em períodos de corte de despesas, brasileiros mantêm seus gastos com beleza, apesar de ficarem mais exigentes

Por Maria Clara Abreu

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O mercado de beleza evoluiu e desponta como um forte segmento da economia nacional. Mesmo passando por recentes turbulências econômicas, o Brasil continua sendo um dos maiores mercados consumidores de produtos de beleza do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Japão. Segundo estimativas do Euromonitor, no período de 2015 a 2020, o setor deverá crescer 14,3%, no valor acumulado, o que significa que, em 2020, as vendas poderão chegar a R$ 115,095 bilhões em todo o mundo.

Nem a crise fez o brasileiro parar de consumir produtos e serviços de beleza. Uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que, em um cenário de contenção de gastos, os brasileiros preferem cortar despesas com outros itens, como lazer e viagens, em vez de gastos com beleza. Esse comportamento aparece principalmente em mulheres das classes C, D e E.

A pesquisa revela também o aspecto emocional que influencia esse tipo de consumo. Muitas vezes, a compra desses produtos significa uma espécie de “presentinho” para si mesmo. Ainda, 70% dos entrevistados têm o hábito de comprar produtos apenas com o objetivo de se sentirem mais bonitos e 44% afirmam gastar com itens de beleza para se sentir melhores quando não estão felizes.

Apesar de não deixar de investir nesses produtos, o consumidor está cada dia mais exigente e preocupado com o custo-benefício. Atender às expectativas e demandas desse consumidor vai exigir criatividade e muita atenção para conhecer bem o público-alvo de cada negócio.

 

Inovação

Adriana Ribeiro, proprietária do salão de beleza Afro e Cia Ponto Chic, conta que ter ousadia para inovar é fundamental. “Eu acreditei que me especializar no público crespo e cacheado poderia ser interessante e lucrativo, mesmo em um momento em que isso significava nadar contra a corrente”, revela. Adriana apostou, então, na segmentação para se destacar no mercado.

 

A cabeleireira acaba de expandir seu negócio e destaca que investir em profissionalização e treinamento foi muito importante para conseguir crescer. Além disso, ressalta que estar por dentro das tendências de moda e mercado é fundamental para apostar em novos serviços e sair na frente da concorrência. “Aqui no salão, começamos a oferecer um serviço novo chamado terapia capilar, por exemplo. A novidade envolve uma parceria com dermatologistas e psicólogos e utiliza produtos de altíssima qualidade”, conta.

 

Sustentabilidade

A preocupação com a beleza não significa superficialidade. O consumidor desse mercado está cada vez mais consciente e preocupado em conhecer os processos de produção. Cuidados com o meio ambiente e características inovadoras são levados em consideração no momento da compra.

Investir em inovação e sustentabilidade, então, é fundamental para as marcas de cosméticos manterem-se competitivas. A sócia fundadora da Lola Cosmetics, Dione Vasconcellos, conta que essa é uma preocupação constante da marca: “Nós valorizamos o investimento em novas tecnologias e estamos sempre buscando fazer um produto mais verde. Atualmente, priorizamos processos a frio, que consomem menos energia, utilizamos tinta à base d’água, cola de amido e surfactantes biodegradáveis”.

Além disso, Dione ressalta que o Brasil vive um momento em que o ato de se embelezar está ganhando caráter político e social. As pessoas não querem só consumir produtos, mas consumir marcas que vendem valores. “Por isso, a proposta da Lola não é ser sustentável apenas ambientalmente, mas também socialmente”, comenta, ao destacar que a marca não faz testes em animais e defende o empoderamento feminino.

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