20 de maio de 2019
Beleza que faz bem para o meio ambiente e os animais
Amanda Venício por Amanda Venício

Mercado de cosméticos veganos cresce no Brasil para atender a consumidores preocupados com direitos dos animais e meio ambiente

Os cosméticos não servem apenas para embelezar, eles precisam gerar um impacto positivo para o meio ambiente, respeitando os animais. Essa é a visão de quem compra cosméticos veganos, que não são testados em animais nem contêm produtos de origem animal.

É o caso de Patrícia Lima, que foi de consumidora a dona do próprio negócio. Ela criou a marca Simple Organic durante o período de amamentação da filha, quando decidiu parar de usar maquiagem química, feita com ingredientes sintéticos. Patrícia pesquisou opções de maquiagem natural, mas não encontrou uma marca com a qual se identificasse. “Decidi criar minha própria marca para deixar um legado de valores para minha filha. Não queria que ela crescesse em uma sociedade consumista, com padrões de beleza cruéis”, relembra.

Em sua avaliação, o mercado de cosméticos veganos é promissor. “As demandas são cada vez maiores, devido a essa percepção do consumidor que busca performance, design, pigmentação, mas também saúde para a pele e o corpo. As pessoas estão se preocupando mais com os ingredientes, não só dos alimentos, mas dos produtos que colocam em contato com sua pele”. Além de não utilizar ingredientes de origem animal, a Simple Organic não usa produtos geneticamente modificados nem sintéticos, como parabenos, petrolatos e parafina.

A marca adota o selo “eureciclo”, de logística reversa. Nas lojas físicas e quiosques, as clientes podem devolver embalagens com 10% de desconto para adquirir um novo produto. Como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige que todos os produtos tenham embalagem primária, que é a caixinha que embrulha o produto normalmente, e secundária, em que vai o conteúdo do produto, Patrícia teve a ideia de embalar os produtos em saquinhos de tecido, que podem ser utilizados pelas clientes como um nécessaire. Com crescimento rápido, em seis meses a marca inaugurou 19 lojas pelo país.

Em busca de matéria-prima

A Lola Cosméticos não testava seus produtos em animais desde quando foi criada, em 2011. Cinco anos depois, a marca retirou os componentes de origem animal de todas as suas linhas. Como um dos principais desafios de atuar no nicho de cosméticos veganos, Dione Vasconcellos, sócia fundadora da Lola, cita o custo de obter matérias-primas sem origem animal, assim como os testes em laboratórios especializados sem animais. O diferencial, no entanto, compensa. “A principal vantagem é saber que estamos sempre fazendo o que é correto. Não trabalhamos apenas com cosméticos, mas com empatia e respeito”, afirma.

Esses valores atraem as consumidoras para a marca. “Elas procuram nossos produtos pensando em qualidade, consciência ambiental, empoderamento feminino. Vai muito além da compra de um cosmético”, diz Dione. As vendas mostram que a Lola está no caminho certo: o faturamento cresceu 15% em 2018 e a expectativa é expandir de 18% a 20% neste ano.

Atendendo à demanda

Já a marca Skala Cosméticos, há 33 anos no mercado, anunciou neste ano que se tornou 100% vegana. A ideia surgiu das demandas das próprias consumidoras, que começaram a questionar a marca sobre quais dos produtos não tinham ingredientes de origem animal na composição.

O processo de transição levou um ano. “Nossos fornecedores já estavam preparados para essa possível troca, a maioria já tinha em seu portfólio itens vegetais que substituiriam os de origem animal. O que demandou tempo foi a nossa análise em laboratório – como testes internos de qualidade – e a burocracia de troca de fórmulas, alteração nos rótulos e Anvisa”, explica Bruna Veneziano, gerente de Produto e Marketing da Skala.

Bruna avalia que a mudança impactou positivamente a imagem da marca e a relação com os consumidores. “Trouxemos um público atento como aliado, que se tornou fanático pela marca”. Para ela, os cosméticos veganos não se limitarão a um nicho e tendem a se tornar um padrão para a indústria. “Provavelmente, no futuro, essa tendência não será um diferencial em cosméticos, mas, sim, uma exigência”.

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