17 de junho de 2019
Aliadas do varejo
Giovanna Jardim por Giovanna Jardim

Tecnologia e a corrida pela captação de novos consumidores

Historicamente, o varejo foi o primeiro setor que vislumbrou a importância de acompanhar a transformação digital para tê-la como grande aliada na atração de novos clientes. Quando analisamos a evolução global do e-commerce, entendemos como a inovação permitiu o aumento do acesso de novos consumidores a produtos e serviços e, consequentemente, do volume de compras pela internet. Mas não parou por aí.

Andando por shoppings ou zonas de comércio populares, é cada vez mais comum encontrar crianças e adultos completamente fascinados com displays e espelhos inteligentes, checkout automatizado e até ausência total de funcionários em lojas, graças a um sofisticado sistema de inteligência artificial. A inovação não tem limites. Sistemas de logística avançados e ferramentas que identificam a emoção dos clientes ao fazer compras são algumas das soluções apontadas por ágeis start-ups, que surgem cada vez mais no mercado global.

Todos os anos, a Distrito – plataforma de inovação para start-ups – lança o RetailTech Mining Report, um mapeamento que traça o cenário das start-ups de tecnologias para o varejo, identificando tendências no país e no mundo. De acordo com empresários entrevistados para a elaboração do estudo, a tecnologia é fundamental para acompanhar as tendências e deve ser ágil o bastante para que os tomadores de decisão identifiquem características de novos produtos a ser criados e como atingir novos clientes no mercado.

Para Daniel Quandt, data miner da Distrito, o estudo realizado com as start-ups brasileiras demonstra que ainda há muito que amadurecer nessa área, principalmente quando comparado com a realidade internacional. “Aqui, vemos start-ups focadas em atender às dores e demandas existentes no mercado, com menos ênfase na disrupção violenta e inovação radical do conceito de varejo, como acontece com algumas start-ups que deram as caras na NRF 2019, como a Syte, nosso case internacional”.

No entanto, Quandt esclarece que isso não se deve a qualquer falha das start-ups brasileiras, seja em capacidade, seja em ambição “Na verdade, elas estão jogando outro jogo, em outro tabuleiro: o nacional”, pondera.

Como especialista na área, indica que, enquanto nos países desenvolvidos o varejo está buscando disrupções arriscadas e tecnologias capazes de trazer ganhos marginais, aqui no Brasil, a busca ainda é por melhorias relacionadas às necessidades mais básicas.

Perguntas e respostas

Quais dicas daria para as empresas brasileiras que desejam ampliar seu conhecimento em inovação como aliada no varejo?

O ecossistema no Brasil está cada vez mais forte. Aceleradoras, investidoras e hubs de inovação criam um terreno cada vez mais fértil para que as start-ups tenham os recursos e o know-how para trabalhar e implementar sua visão no mercado. Buscar esses recursos e ambientes é vital para qualquer empresa que queira se destacar e tirar a ideia do papel de uma forma sustentável e escalável.

Para empresas maiores que querem implementar soluções de start-ups, é importante ter equipes dedicadas a trazer a inovação para dentro da empresa, tanto em processos internos quanto no relacionamento com o ecossistema. Aqui mesmo na Distrito, auxiliamos as grandes corporações a resolver seus problemas intermediando a relação delas com o universo das start-ups por meio da Leap, nossa consultoria de inovação em parceria com a KPMG. Ela surgiu quando percebemos que apresentar empresas e start-ups (o matchmaking) nem sempre dá certo, porque empresas altamente complexas exigem soluções personalizadas.

No report, fala-se sobre um “movimento nacional de inovação no varejo”. Como se dá esse movimento?

É uma forma de nos referirmos ao surgimento de start-ups que buscam inovar no mercado de varejo como um todo, como ilustrado no próprio estudo. A maior parte delas surgiu depois de 2010, inclusive com uma grande quantidade aparecendo nos últimos três anos. São players que trazem tecnologia para mudar a forma como compramos, seja auxiliando nos processos dos varejistas estabelecidos, seja criando disrupções que buscam mudar o jogo como um todo.

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