28 de outubro de 2019
A vida no app
Marcela Kawauti por Marcela Kawauti

Você já se deu conta de que, há pouco mais de dez anos, não havia o botão dos seus aplicativos preferidos? Hoje, pelo app, você pede comida, paga suas contas, controla suas despesas, consulta a previsão do tempo, escuta suas músicas, acessa suas redes e pode ler esta revista. Também consome, se quiser.

O aplicativo GuiaBolso divulgou uma pesquisa mostrando que seus usuários já gastam o equivalente a 9% do orçamento com aplicativos de transporte. O levantamento também mostrou que os gastos com aplicativos de comida chegam a algo como 6% do orçamento.

É verdade que esses usuários não representam a vasta população brasileira. Estamos falando, muito provavelmente, de um público metropolitano, mais escolarizado e com renda maior. Ainda assim, os resultados merecem ser vistos com atenção, pois apontam para transformações que deverão se impor cada vez mais nos próximos anos.

As transformações acontecem em duas pontas. Numa delas, os apps permitem, por exemplo, que o proprietário de um carro consiga rentabilizar esse seu ativo nas horas vagas – aliás, para muitos desempregados, as corridas têm sido a principal fonte de renda. Na outra, para os consumidores, os apps oferecem a opção de um serviço mais barato, aumentando seu bem-estar.

O termo “nova economia” veio designar esse momento em que os serviços vão se sobrepondo aos produtos e em que as inovações se acumulam, ou se anulam, num ritmo exponencial. Ao mesmo tempo que esse processo “aposenta” alguns modelos de negócios – vide as locadoras de vídeo –, abre outras tantas possibilidades.

Segundo a Associação Brasileira de Startups, o Brasil conta, em 2019, com oito unicórnios, nome dado a empresas que, baseadas na inovação, cresceram rapidamente e já atingiram o valor de US$ 1 bilhão. É bem provável que você já tenha recorrido aos serviços de algumas delas.

No varejo, a novidade da vez é o “super app”, um aplicativo com várias funcionalidades, que vão de serviços bancários à venda de produtos e serviços. A palavra da vez é “omnichannel”, que nada mais é do que a integração dos ambientes virtuais com as lojas físicas. Ela se justifica porque o preço mais baixo importa, mas o consumidor ainda gosta de ver o produto de perto antes da compra e, se lhe for conveniente, retirar sua compra na loja.

É claro que, nesse novo mundo, nem toda loja precisará desenvolver um “super app” exclusivo. Mas algumas ferramentas estão ao alcance de todos. Uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) com micro e pequenas empresas mostrou que, em 2018, o WhatsApp foi o segundo canal de vendas mais citado. E isso está a um toque de distância.

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