1 de novembro de 2019
A nova adolescência: cabelos brancos, imediatismo e energéticos
Hilaine por Hilaine

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de idosos será três vezes maior no Brasil até 2050. Essa é uma discussão atual; o país está envelhecendo, por isso o tema está na agenda de governo – como exemplo, temos a tramitação da reforma da previdência. O governo não está preparado para esse novo perfil sociodemográfico. Nem o governo, nem o mercado.

Em um país em que se chama maioria de minorias, os maduros fazem coro com os grupos marginalizados. Vou tentar dar voz a esse grupo tão pouco percebido.

Imagine uma carta dos indivíduos longevos:

“Apesar de tanta mudança, vivemos a ditadura da neotenia. Juventude deixou de ser uma idade ou fase cronológica para ser um estilo de vida. Pois é, somos mais velhos e mais jovens ao mesmo tempo. Paradoxalmente, temos mais dinheiro no bolso e mais energia para gastar: somos a geração Red Bull. Ajudamos a criar nossos netos, pagamos algumas contas dos nossos filhos e seguimos caminhando tentando nos fazer entender. Dificilmente nos enxergam com a leveza que temos e a nossa sabedoria pouco é valorizada. Quando somos representados, ainda erram na mão: já fomos representados tricotando, patinando nos gadgets ou como ‘lokos’, com cabelos coloridos e armação de óculos ousada beirando o exagero. Não é porque assumimos a idade que precisamos assumir cabelos brancos; essa é uma escolha pessoal, não nos venha com outra ditadura, essa nós já vivemos e dizemos que foi terrível, não podíamos nem dizer o que pensávamos e isso comprometeu nossa formação de forma assustadora. O fato de termos vivido a era analógica nos capacita a entender diversos fenômenos sociais. Nosso tempo era outro, sem saudosismos, mas entendemos que hoje conseguir ler livros inteiros é uma grande habilidade. Ah, a letra não precisa ser tão grande ou ter um mar de figuras ilustrativas; conseguimos ter senso crítico e fazer sinapses muito bem. Não nos vemos no mercado matrimonial; quando dizemos que estamos solteiros, as pessoas logo nos percebem como velhos tarados, os tios que buscam uma novinha. Se somos mulheres, somos percebidas como solitárias, abandonadas, as vítimas de uma família que pouco liga para nós. Pois é, parece que vivemos num mar de carência e abandono, por isso somos presas fáceis aos vendedores que nos agradam, à turma da academia de ginástica e aos médicos. Nos tratam melhor no laboratório do que em muitos outros lugares que frequentamos. Ser mais velho é confundido com ser criança; já percebemos muita gente nos chamando por apelidos no diminutivo ou fazendo voz de neném para falar conosco, aquela mesma voz que tratam cachorros e bebês na rua…”

Brincadeiras à parte, as reclamações são muitas quando olhamos de forma atenta para o grupo em questão. A demanda dos longevos é crescente. Se você está precisando se conectar com os consumidores do futuro, se liga que não é só entender a geração do amanhã, mas talvez olhar para a geração do agora. Preste atenção nos seus pais, avós e amigos deles, você verá um mar de possibilidades.

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